O estado do cantor Pedro Leonardo Dantas Costa, de 24 anos, filho do sertanejo Leonardo, ainda é considerado “extremamente grave” pelos médicos, apesar da leve melhora do edema cerebral registrada da segunda-feira para ontem. De acordo com a equipe médica do Instituto Ortopédico de Goiânia (IOG), esse é o principal motivo pelo qual o cantor não pôde ser transferido ontem para o Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, como é desejo da família.

Depois de constatada insuficiência renal aguda, o cantor teve de ser submetido a hemodiálise por cerca oito horas. A equipe aguarda para saber como os rins vão reagir. Também ontem, durante a tarde, a equipe do IOG falou pela primeira vez que sequelas não são descartadas.

“Até o momento não falamos em sequelas, mas a partir de agora isso não está descartado, embora eu não possa prever nada”, salientou a neurologista da equipe do IOG, Edilene Guiotti. O quadro neurológico de Pedro ainda continua sendo o foco dos médicos. O edema cerebral cedeu no início da semana e até a noite de ontem encontrava-se em situação estável. Diante do quadro, o cantor deverá ser submetido a novos exames para investigar possíveis lesões cerebrais secundárias. “Temos de esclarecer que o quadro continua extremamente grave. Agora que houve estabilização do edema cerebral, vamos visualizar as outras possíveis lesões”, informou Edilene Guiotti.

O diretor técnico da unidade de terapia intensiva (UTI) do IOG, Wandervan Antônio Azevedo, afirmou novamente que o trabalho está concentrado na diminuição gradativa dos medicamentos que ainda mantêm o cantor em coma induzido. “Nosso objetivo é diminuir aos poucos para observar como será a reação”, disse o médico. Ele explicou que a hemodiálise foi necessária devido ao não funcionamento dos rins e que frisou que é preciso acompanhar se as funções renais serão retomadas. Além disso, Pedro tem um quadro infeccioso que está sendo tratado com potentes antibióticos. Ele lembrou ainda que não houve quadro de hipotermia ou febre nem de hipertensão arterial nas últimas horas.

A esperança da família aumentou consideravelmente, de acordo com Leonardo, que no fim da tarde novamente foi visitar o filho. “A gente fica em casa mas o pensamento está grudado aqui. A preocupação é, principalmente, aquele telefone que toca de madrugada, mas hoje (ontem) de manhã ele tocou para dizerem que ele (Pedro) passou bem a noite”, desabafou o cantor entre repórteres e fãs. “Até agora não houve a melhora que a gente esperava, mas pouco a pouco ele está voltando para nós”, reiterou, esperançoso. Mãe do cantor, Maria Aparecida Dantas também esteve no hospital. Ela tem passado o dia reunida com familiares orando pela saúde dele.

A mulher do cantor, Thais Gebelein, falou ontem pela primeira vez à imprensa depois do acidente do marido. Ela disse ter esperança na recuperação de Pedro e que os dois conversam em pensamento. Afirmou ter certeza de que é ouvida e reafirmou a fé em Deus.

Transferência

A transferência de Pedro para São Paulo continua sendo uma incógnita, segundo os médicos em Goiânia. Na última vez em que falou com a imprensa ontem, a equipe foi enfática em dizer que o IOG tem todas as condições para dar suporte ao jovem cantor. Leonardo, contudo, reafirmou a vontade da família de transferir o filho para a capital paulista. “A transferência para São Paulo vai depender da estabilidade dele e da avaliação da equipe do IOG. A gente sabe da competência dos médicos de Goiânia, mas assim que ele tiver força para ser transferido para São Paulo, acredito que nossa família e também os médicos vão concordar com isso”, declarou.

Ontem, o diretor Wandervan Antônio Azevedo falou com exclusividade ao POPULAR sobre o tratamento de Pedro e o assédio da imprensa nos últimos dias. “Nós vamos tentar fazer o melhor para ele”, desabafou Wandervan, sobre a polêmica da transferência do sertanejo que será acompanhada pelo médico. O desejo do profissional é continuar cuidando do cantor. Ele disse que a decisão de levar o cantor para São Paulo, porém, é da família e que dará total apoio assim que Pedro tiver condições de ser removido do hospital.

O intensivista explicou também que o temor da transferência para São Paula está centrada em toda a logística necessária. Ele acredita que neste momento ela é muito arriscada, porque Pedro depende de uma série de aparelhos para sobreviver, além da dosagem alta de medicação. Conforme Wandervan Azevedo, a transferência para São Paulo pode durar cerca de quatro horas, o que seria desgastante para a saúde frágil do paciente. Ele calcula que seria gasta meia hora para levar Pedro de ambulância ao Aeroporto Santa Genoveva, depois outras duas horas de voo até São Paulo e de meia a uma hora de transporte até o Hospital Sírio-Libanês.

A médica Ludmila Hajjar, coordenadora da UTI do Sírio-Libanês, é uma das médicas que estão em contato direto com o diretor da UTI do IOG. Enquanto esteve em Goiânia, ela manteve o tratamento médico que estava sendo aplicado ao paciente.