A doutora em educação Edna Duarte de Souza, de 52 anos, viveu uma vida na Universidade Estadual de Goiás (UEG). Ela acompanhou a instituição desde o seu começo, continua nela até os dias de hoje e é otimista quanto ao futuro. Entre as várias memórias que guarda de seus alunos, as mais marcantes são as que demonstram conquistas e ascensão social.

No começo dos anos 2000 dava aula de didática no curso de Letras em Anápolis, 60 km de Goiânia, e uma de suas alunas era empregada doméstica. A jovem estudante morava na casa dos patrões e tinha que conciliar uma rotina dupla de muito trabalho e estudos. À noite, quando chegava da faculdade, tinha que logo fazer as atividades do curso, porque no dia seguinte teria o dia cheio já de manhã. No entanto, os patrões estipulavam um horário limite para que ela deixasse as luzes acesas, para economizar energia elétrica. Mesmo assim, ela não desistia, e realizava as leituras e textos na madrugada a luz de velas.

“Era uma aluna que nunca deixou de ler os textos, de fazer as atividades. Eu até me emociono quando me lembro disso. Uma vez, eu perguntei o por quê dela insistir nessa dificuldade e ela disse que era para ter uma vida melhor que a dos pais”, conta Edna, que diz ainda ter contato com a ex-estudante, que hoje é professora concursada do Estado e possui mestrado. “No momento em que se critica tanto a Educação, precisamos nos lembrar dessas histórias, para entender que a Educação pode transformar vidas. Esse é um dos motivos que sou professora”, defende Edna.

Atualmente Edna continua a lecionar no curso de Letras. Sempre na área de didática de ensino, trabalha com os temas diversidade, cidadania e direito. Hoje também soma o cargo de ouvidora da UEG.

Quando começou a carreira de professora, nem a UEG existia. Foi em 1989, na antiga Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Itapuranga, que já era vinculada ao Estado, mas era isolada. Quando a UEG surgiu, em 1999, Itapuranga se transformou em um câmpus e Edna foi trabalhar em Anápolis, onde hoje é a sede da Estadual de Goiás.

Edna se lembra que no início, a estrutura física da universidade era acanhada e foram necessários mais de dois anos para que houvesse uma unidade entre os câmpus, com a aprovação de regimentos e regulamentos. A sede funcionou no prédio da antiga Universidade de Anápolis (Uni Ana). A professora acompanhou a constituição da reitoria, pró-reitoria e corpo administrativo da sede da nova universidade que surgia. Na época eram 13 câmpus, hoje são 41.

O primeiro concurso da UEG veio em 2004, Edna passou em primeiro lugar na sua área de “didática e prática de ensino”, desde então, foram três concursos para professores no total.

Para Edna, o grande benefício da UEG é a inclusão e interiorização da Educação Superior no Estado. “O momento mais prazeroso que eu tenho é de perceber como a conclusão do Ensino Superior significa para os jovens oriundos de famílias pobres a possibilidade de ter uma renda maior, de ajudar no crescimento do próprio Estado”.

Sobre a atual crise que passa a universidade, Edna diz que acredita que será temporário, assim como outros problemas já enfrentados no passado. “Nós acreditamos muito no nosso trabalho e acreditamos muito no nosso objetivo social”, defende a doutora.