Autoridades, médicos e pacientes são contra o fechamento do pronto-socorro psiquiátrico Wassily Chuc, em Goiânia. De acordo com o neuropsicólogo e diretor do Sindsaúde, Astrogildo Naves, fechar o pronto-socorro é cobrir um erro com outro. Mesmo com condições precárias, a unidade é a única de Goiânia que consegue atender demandas de emergência de pacientes com transtornos mentais e crises agudas. “Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) não estão aptos a fazer esse tipo de atendimento. Os pacientes seriam deixados à própria sorte”, diz.

Naves avalia que o grande problema do pronto-socorro é não ter estrutura física adequada. Há falta de medicamentos, leitos próprios para pacientes em crise e ausência de espaço livre para atividades lúdicas e ocupacionais. Para ele, a saída seria uma reforma ou a construção de uma nova unidade que contemplasse essas demandas. “Um pronto-socorro como o Wassily é extremamente necessário. O problema é que ele não está em condições”, reforça.

Denúncias

A filha de um paciente concorda que o fim do pronto-socorro deixaria parte da população desassistida. Segundo a chefe da Divisão de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Camila Brum, as denúncias de que os pacientes são maltratados no Wassily Chuc surgem porque muitos precisam ser contidos na cama como medida protetiva, “o que ocorre também nas UTIs”. Quanto às grades que separam a enfermaria das outras áreas, ela explica que o imóvel era um hospital psiquiátrico e que a estrutura foi mantida a pedido do proprietário. Mas não há necessidade delas para prender os pacientes.

Em relação aos pacientes que permaneceram no hospital por anos, Camila explica que eram pessoas que moravam em manicômios que foram fechados e que não tinham para onde ir. Todos teriam sido transferidos para casas de terapia.

A reportagem entrou em contato com a SMS, que respondeu que somente o secretário Fernando Machado pode comentar o assunto e deve fazê-lo em breve.

 

"Meu pai esteve internado aqui e foi bem tratado. Teve recaída e precisou voltar. Não tenho outro lugar para levá-lo."
Parente de paciente