A presidente eleita Dilma Rousseff (PT) sobe a rampa do Palácio do Planalto hoje para assumir o comando de um Brasil bem melhor que o herdado por Luiz Inácio Lula da Silva há exatos 8 anos. Nem por isso os desafios da sucessora do presidente mais popular do pós-ditadura serão pequenos.

Na área política, a primeira presidente mulher do Brasil toma posse em meio a resquícios de insatisfação com o resultado da formação da equipe de ministros. O PT, partido de Dilma, amplia sua fatia de poder, especialmente na concentração de recursos do orçamento, enquanto o PMDB e o PSB ficaram com fatias menores de espaço que a esperada.

Entre parlamentares aliados a expectativa, no decorrer das últimas semanas, era de que a insatisfação com a divisão de espaços interfira no humor do Congresso, especialmente na Câmara dos Deputados, já nas primeiras votações importantes. Isso num cenário em que o mesmo PT estará no comando da mesa diretora da Casa.

A relação com o Legislativo mediará o resultado de reformas importantes para a manutenção do ritmo de crescimento econômico e com a manutenção da atual política econômica. O setor produtivo espera por uma reforma tributária e trabalhista. O envelhecimento da população continuará exigindo mudanças no regime de Previdência. A reforma política é outra que se torna cada vez mais urgente em meio à sucessão de escândalos em todo o País.

Outro desafio de Dilma é dar mais eficiência para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que patinou no governo Lula. Ela também enfrentará a pressão de governadores eleitos e reeleitos por obras em seus Estados, especialmente na área de infraestrutura. É o caso de Goiás, que aguarda o destravamento de obras como a do Aeroporto de Goiânia, iniciadas em 2003 e até agora sem solução à vista. Durante a campanha presidencial, Dilma disse que, caso eleita, a conclusão das obras do novo terminal de embarque seriam tratadas como um "compromisso pessoal".

O Estado enfrenta o atraso na conclusão das obras da Ferrovia Norte-Sul, cuja inauguração já foi adiada por duas vezes, a última delas para 30 de abril. A ferrovia é fundamental para a continuidade do crescimento da região Centro-Oeste. O governador eleito Marconi Perillo (PSDB), que também assume hoje, terá de comandar, junto à bancada federal, a interlocução para a conclusão dessas obras, já que Goiás não está representado na Esplanada.

Ato de posse previsto para sol ou chuva

Brasília ? A presidente eleita, Dilma Rousseff, e o vice, Michel Temer serão empossados em cerimônia que começa às 14h30, no plenário da Câmara dos Deputados. Caberá ao presidente do Senado e do Congresso Nacional, senador José Sarney (PMDB-AP), empossar Dilma e Temer nos cargos, após o juramento e assinatura do termo de posse no livro dos presidentes da República.

Se chover, Dilma e Temer entrarão no Congresso pela chapelaria e, do contrário, a chegada de Dilma e Temer será pela rampa principal do Congresso. Sarney, e o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), vão receber Dilma e Temer à entrada da chapelaria, no caso de chuva, ou no início da parte plana da rampa se não chover. Sarney abrirá a sessão e Dilma e Temer prestarão o compromisso constitucional "de manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil". (FP)