Atualizada às 11h48.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), afirmou nesta quarta-feira (25), em entrevista coletiva, que os decretos estaduais assinados por ele vão prevalecer no Estado. É uma resposta ao pronunciamento feito em cadeia nacional pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na noite de terça-feira (24), conclamando a população a voltar para as ruas, com exceção dos idosos e grupos de risco, e criticando o fechamento do comércio e das escolas.

Decreto assinado por mim vai prevalecer em Goiás. Sei calibrar corretamente as decisões que terei que tomar. Usar a tese que teremos colapso econômico de grandes proporções é querer colocar na balança a vida e a sobrevivência da economia. Podemos fazer as duas coisas e cabe a um líder criar condições de diminuir as dificuldades”, afirmou Caiado.

Reclamando da postura de Bolsonaro, o governador disse: “Não cabe a mim como governador jogar responsabilidade em prefeitos. A responsabilidade é minha e eu assumo. Não me acovardarei diante deste momento. É agora que se exige o que se espera de um líder e estadista. Humildade, serenidade e coragem.”

Caiado também indicou uma mudança na postura nas relações com o governo federal e diz que a Constituição Federal garante o direito do governador de legislar em seu respectivo Estado. “Se tiver que tomar decisões a nível nacional. Tomarei com o Supremo Tribunal Federal (STF) e Congresso.”

O governador também alertou para a situação da pandemia. “Tratar coronavírus, que não temos vacina, não sabemos como se comportam, temos experiência chinesa, italiana, francesa, mas não temos ainda tranquilidade.”

Em seu discurso, Caiado mostrou um rompimento com o presidente Bolsonaro. "Não posso admitir e concordar com presidente que não tem consideração e respeito aos aliados. Fui aliado de primeira hora, mas não posso admitir que venha agora o presidente lavar as mãos e responsabilizar outras pessoas por colapso econômico e falência de empregos que amanhã venha a acontecer."

Com falas duras, o governador de Goiás criticou, em diversos momentos da coletiva, a postura de Bolsonaro. "Na política e na vida a ignorância não é uma virtude."

Ele reforçou que as medidas de restrição adotadas são importantes para que não haja um colapso da rede de saúde. "O Estado de Goiás cumprirá o decreto. Se amanhã tivermos curva agressiva, a estrutura hospitalar entrará em colapso."