Para a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), são considerados crimes de alta prioridade: homicídio, tentativa de homicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte, estupros, roubo (de veículos, comércio, residência, transeunte, instituição financeira e de carga) e furtos (de veículos, comércios, residência, transeunte e instituição financeira). Neste ranking (veja quadro), Alto Paraíso de Goiás lidera com uma taxa de 22,49% por mil habitantes. O município, localizado no Nordeste do Estado, não possui delegado titular bem como o 2º colocado da lista, Abadia de Goiás, na Região Metropolitana.No último mês de maio, uma sentença relacionada a um processo que tramitava na Comarca de Alto Paraíso de Goiás foi proferida no sentido de obrigar o Estado a promover um cargo de delegado de polícia na cidade. Situação similar ocorreu em Cristalina onde o pedido do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) era a implantação de uma Central de Flagrantes. Segundo apuração do órgão, um delegado, oito agentes, quatro escrivães e cinco servidores do executivo municipal seriam responsáveis pela apuração dos crimes em mais de 6 mil quilômetros quadrados e população estimada em 50 mil habitantes.Dados sigilososO POPULAR solicitou os dados relacionados ao déficit junto à Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-GO) e também junto à Polícia Civil. Em nota, a SSP informou que desde 2016, uma portaria considera esses dados sigilosos pelo prazo de cinco anos. “São informações estratégicas do ponto de vista de segurança pública e social. A divulgação irrestrita destes dados colocaria em risco a segurança das instituições policiais e poderia, ainda, comprometer a segurança e a ordem da sociedade. Importante destacar que o sigilo de dados é uma garantia constitucional devidamente observada pela SSP. A portaria citada nesta nota tem respaldo na Lei Federal n° 12.527, de 18 de novembro de 2011 e na Lei Estadual nº 18.025, de 22 de maio de 2013”, disse o documento.“Estamos capengando há muito tempo” Depois de concurso anulado por problemas no gabarito e fraudes no processo, a Polícia Civil do Estado de Goiás (PC-GO) realizou um certame e 110 delegados foram aprovados. Os policiais passaram por curso de formação e no último dia 16 de agosto, foi realizada a formatura na sede da Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego). A expectativa era de que o governador Ronaldo Caiado anunciasse uma nomeação fracionada por ordem de colocação, mas isso não aconteceu. O concurso foi homologado em 21 de maio deste ano e o prazo para nomeação é de seis meses, podendo o governo estadual prorrogar por mais seis meses.Presidente do Sindicato dos Delegado de Polícia Civil de Goiás (Sindepol), Adriano Costa explica que a situação é antiga e que apesar de ter consciência da dificuldade financeira do Estado, é preciso entender que a Segurança Pública não pode esperar. “Há cerca de quatro anos foram deflagrados concursos para Polícias Civil e Militar com o objetivo de minimizar o déficit e houve problemas com o gabarito da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Depois, uma fraude que resultou em prisão dos envolvidos e foi apoiada pela polícia. Esse déficit não foi suprido porque dois concursos foram anulados. Estamos capengando há muito tempo”, completa Adriano.A formatura contou com apenas 80 delegados e para o presidente do Sindepol a situação é alarmante porque além das despesas gastas com o processo até agora, Goiás está perdendo os aprovados. “Já tivemos informação de policiais que passaram no concurso da Polícia Federal e também temos casos de pessoas oriundas de outros estados que não conseguem se manter aqui sem essa nomeação. Estamos vivendo um período preocupante e ter delegados que cuidam, por exemplo, de sete cidades é uma situação muito complicada”, disse o presidente do Sindepol.“Estou na Polícia Civil desde 1983. Nunca conseguimos realizar um concurso que todos tomaram posse. Nesta vacância de tempo, o colega faz concurso no Judiciário, Ministério Público, Polícia Federal. Além desta nomeação, já é preciso pensar em um novo concurso”, pontua o presidente da Associação dos Delegados de Polícia (Adpego), Waldson de Paula.Para o presidente da União Goiana Policiais Civis (Ugopoci), José Virgílio, não há como minimizar o déficit sem a nomeação. Apesar disso, explica que no ano passado, um projeto que solicitava aproveitamento dos aposentados nos últimos cinco anos foi vetado pelo Governo Estadual. O desejo, segundo ele, é de que ocorresse nos moldes da Força Nacional.Deputados cobram especializadasNo último dia 20 de agosto, deputados estaduais liderados por Humberto Teófilo (PSL) e Eduardo Prado (PV) entregaram um requerimento ao Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), Lissauer Vieira (PSB) solicitando a nomeação imediata dos delegados de polícia aprovados no último concurso ou o estabelecimento de um cronograma. “Semanalmente recebo em meu gabinete pelo menos três ou quatro visitas de prefeitos e vereadores solicitando apoio para minimizar os impactos das acumulações de delegados. Entendo a situação financeira do Estado e mesmo sendo da base sei que a Polícia Civil está trabalhando no limite”, afirma Eduardo Prado.A deputada Adriana Accorsi (PT) também defendeu a nomeação e afirmou que, enquanto delegada, passou pelos problemas que hoje perduram. Accorsi ressaltou que além das delegacias dos municípios, é preciso pensar em delegacias especializadas em atendimento à mulher, à criança e ao adolescente. “Estamos no ranking de feminicídios e não temos especializadas. Imagina uma situação de estupro em que não há prisão em flagrante porque a cidade não tem um delegado”, completou.