Antes mesmo do início da pandemia da Covid-19, as instituições de ensino superior da rede pública passavam por cortes de orçamento, e há 6 anos lutam para conseguir fechar o ano com as contas pagas, o que dificulta em muito a adoção de medidas que ajudam no combate à disseminação da doença. Mesmo assim, várias iniciativas foram realizadas. O reitor do Instituto Federal de Goiás (IFG), Jerônimo Rodrigues da Silva, afirma que a situação poderia ser melhor se as instituições tivessem recebido investimentos anteriores, em que poderiam “ajudar muito mais”. No momento, os projetos existem com o aproveitamento da capacidade instalada e no conhecimento técnico e científico.

“Aqui no IFG estamos mais focados nas ações preventivas, como a fabricação do álcool em gel, do etanol 70% e soluções desinfetantes aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Não está a todo vapor, mas com incremento de recursos estamos fazendo. Somando a produção dos 14 câmpus que temos, dá para fazer muita coisa”, avalia. O reitor reforça que os projetos têm sido possíveis também em razão das parcerias feitas com as outras instituições de ensino e com os poderes público e privado. O Ministério da Educação (MEC), em razão da pandemia, repassou recursos para projetos, nos quais há a participação das universidades goianas.

O reitor da Universidade Federal de Goiás, Edward Madureira, conta que foi atrás da verba com projetos assim que houve a sinalização do ministério. “O que a gente tem para oferecer é o conhecimento e a capacidade intelectual instalada. Olhando para a crise, nossos professores e estudantes viram frentes para atuar e a UFG também tem uma infraestrutura razoável”, diz. Madureira reforça que o papel das instituições é desenvolver a tecnologia para que depois o produto possa ser feito em escala maior, pelo setor produtivo local.

 

Parceria pode ajudar em testes

A respeito do auxílio no tratamento dos pacientes, o reitor da Universidade Federal de Goiás, Edward Madureira, lembra que há capacidade para realizar os testes em pacientes suspeitos, mas que não possui os kits, no entanto, a parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO) pode aliviar a realização dos exames feitos pelo Laboratório Central (Lacen). O reitor da UFG reforça que o mais importante para se ter projetos que auxiliam no combate à pandemia é o desejo do professor em contribuir. “Hoje eu nem consigo relacionar as ações que têm ocorrido. Aqui na reitoria, nosso papel é ser articulador e temos encontrado portas abertas nas prefeituras, no Estado e na iniciativa privada. E na universidade ainda não recebi nenhuma negativa.”

Aproveitamento
O pró-reitor de pesquisa e inovação da UFG, Jesiel Freitas Carvalho, explica que os projetos têm surgido desde iniciativas próprias dos docentes, como de demandas sociais ou dentro de projetos de pesquisas já existentes. “Os testes rápidos, por exemplo, já estavam ocorrendo e em andamento, mas com outros patógenos, o que vamos fazer é adaptar. Outros projetos são novos. É possível que apareçam mais coisas ainda, pois estamos envolvidos com todas as necessidades e em várias frentes e problemas podem surgir e necessitar de novos projetos”, considera.