Atualizada às 22h35

Goiânia tem 31 bairros com casos confirmados da Covid-19. A maior parte (49%) está concentrada na Região Sul da capital, principalmente nos setores Oeste e Bueno. Apenas a Região Noroeste não tem nenhum caso confirmado. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a tendência é que o vírus se espalhe por mais bairros e por todas as regiões da cidade, já que a situação atual é de transmissão comunitária, quando não se sabe a origem do vírus que infecta cada pessoa.
 
A concentração de casos confirmados coincide com os locais que tiveram os primeiros registros da doença. Os infectados iniciais eram moradores de bairros centralizados com situação socioeconômica mais alta e condomínios horizontais, que haviam voltado recentemente de viagens internacionais.
 
“A doença não diferencia classes sociais, mas os primeiros casos foram em pessoas que têm poder aquisitivo para viajar”, explica o diretor de Vigilância Epidemiológica da SMS, Leandro Nascimento. Ele relata que os casos começaram em regiões centralizadas e foram se espalhando pela cidade, mesmo movimento que aconteceu em outras grandes cidades com casos confirmados.

Todos os casos de infectados de bairros mais periféricos são de perfil de transmissão comunitária, sem origem definida. Nesses casos, a secretaria monitora os sintomas de todas as pessoas que tiveram contato com o doente. “A gente até brincava no início, que começa com os patrões e depois os empregados”, diz Nascimento.

Sem fronteira
O superintendente de Vigilância em Saúde da SMS, Yves Mauro Ternes, alerta que o mapeamento dos casos confirmados demonstram a disseminação do Covid-19 em toda a cidade. Mesmo locais que ainda não tiveram casos confirmados, como a Região Noroeste, também serão afetados. 

“Não é porque sabe onde tem circulação que vai afrouxar medidas de isolamento social. A recomendação é fortalecer ainda mais o isolamento nessas áreas que ainda não tem caso confirmado para que não surjam casos”, defende o gestor. 

Além disso, há grande quantidade de casos suspeitos, que ainda não foram confirmados pelo teste de laboratório, inclusive de pacientes da Região Noroeste. Os próprios testes são limitados e só são feitos em casos de pacientes graves. 

Por isso, o número real de casos na cidade ainda é um mistério. Segundo o superintendente, um inquérito sorológico é capaz de dimensionar o número aproximado. Nesse método, verifica-se na população as pessoas que desenvolveram anticorpos contra a doença. 

Yves explica que o mapeamento dos casos de coronavírus é importante para constatar o avanço da doença, mas não é tão determinante porque a pessoa doente pode se movimentar e transmitir o vírus em outros bairros. “No caso do coronavírus, que não é transmitido por vetor, não tem ações específicas para controlar a disseminação daquela região e sim fortalecer ainda mais o isolamento social”, defende o superintendente. No caso da dengue, por exemplo, o mapeamento é mais determinante, já que o foco do mosquito é fixo na residência. 

Resumidamente, Yves pontua que o mapeamento é para que as pessoas que vivem nos bairros com casos confirmados fiquem mais atentas no seu deslocamento, mas quem mora em setor sem caso confirmado não deve afrouxar as medidas de distanciamento e também deve tomar cuidado. 

 

UFG vai divulgar avanço por bairro diariamente 

O avanço dos casos confirmados do novo coronavírus (SARS-CoV-2) por bairro da capital será monitorado e publicizado na internet por uma equipe do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig), vinculado ao Instituto de Estudos Socioambientais (Iesa) da Universidade Federal de Goiás (UFG). As informações serão atualizadas diariamente pelo endereço covidgoias.ufg.br. O endereço já disponibiliza, desde o dia 31 de março, mapas com a atualização diária do número de infectados pelo vírus por município de Goiás, mas nesta semana também contará com o quantitativo por setor da capital. 

Além do mapa com casos por cidade, o site criado por estudantes e professores tem dados socioeconômicos, gráficos com a curva de contágio por Estado e municípios, mediana de casos de crise respiratória, projeções e informações de utilidade pública, como pontos de vacinação e unidades hospitalares.

“É uma série de dados que pode subsidiar, e vem subsidiando, a tomada de decisões por parte dos gestores da área da Saúde e da administração pública em geral no nível municipal e estadual”, explica o coordenador do projeto, o professor Manuel Eduardo Ferreira. 

Os dados mapeados no site são fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Saúde de Goiânia e pela Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO). Os primeiros mapeamentos por bairro já foram feitos nos últimos dias e entregues para a SMS. A previsão é que o mapa já esteja disponível no site na próxima quinta-feira (9).

Também fazem parte da equipe do Lapig, o professor Laerte Guimarães Ferreira Júnior, que divide a coordenação geral do projeto; o coordenador da parte de Tecnologia da Informação, Luiz Paschoal; o coordenador do grupo de dados, professor Rherison Almeida; e o coordenador do grupo de modelagens, professor Luis Baumann.
 
Geral
A fonte de dados usada pela reportagem é a mesma da equipe da UFG. Foram mapeados os 73 casos confirmados até a última segunda-feira (6). Nesta terça-feira (7), até as 14 horas, esse número subiu para 76 casos confirmados. 

Desse total, 57% são de pessoas que já se recuperaram ou foram curadas do novo coronavírus. Nove pessoas com Covid-19 estão internadas e 19 (25% do total) estão em isolamento domiciliar com sintomas leves da doença. Quatro pessoas com caso confirmado já morreram na capital. 


Localidades têm alguns pontos de aglomeração 

Bairros que possuem casos confirmados do novo coronavírus (SARS-CoV-2) estão com o movimento de pessoas e carro bem abaixo do normal, por conta das medidas de distanciamento social. No entanto, alguns pontos ainda geram aglomeração. 

No Parque Beija-Flor, no Setor Jaó, região norte de Goiânia, no final da tarde desta terça-feira, moradores utilizavam a academia a céu aberto para se exercitar, faziam caminhada e sentavam em bancos. 

No mesmo bairro, havia grande movimentação de carros e pessoas próximo ao principal supermercado e padaria. 

Já na Praça Tamandaré, no Setor Oeste, havia poucas pessoas no final da tarde desta terça-feira. Os pontos com mais moradores era no supermercado e filas em lanchonetes e restaurantes. Em uma sorveteria, clientes se sentavam dentro do local.