Um novo estudo apresentado pelo governo estadual prevê 613 mortes e 1,8 milhão de infectados pelo novo coronavírus (Covid-19) em Goiás nos próximos 30 dias caso as medidas de distanciamento social e restrições às atividades econômicas, sociais e culturais fossem imediatamente suspensas. As estimativas de cenários estão sendo usadas pelo governador Ronaldo Caiado (DEM) para embasar seus decretos restritivos e orientativos. No começo do mês, quando ele prorrogou as medidas até o dia 19, o pior cenário previa 369 mortes e cerca de 110 mil infectados em um intervalo igual de tempo. O novo decreto publicado na noite de domingo aumenta a flexibilização das atividades econômicas e sociais, desde que com contrapartidas.

Por outro lado, no melhor dos cenários, considerando a manutenção das medidas adotadas e, além disso, uma maior conscientização da população reforçando por iniciativa própria estas restrições, haveria 137 mortes, com 12 mil infectados. Em um cenário intermediário, supondo apenas que as medidas que constam no decreto atual consigam manter a taxa de isolamento social acima de 50%, seriam 480 mortes e 390 mil goianos com Covid-19.

O impacto destes cenários seria sentido imediatamente pelo sistema de saúde, foco de maior preocupação do governo estadual. No melhor dos cenários, seriam necessários 850 leitos normais e 158 de UTI. No cenário atual, 14 mil leitos normais e 1,1 mil de UTI. E no pior dos cenários, 44 mil leitos normais e 2.050 de UTI. O Estado tem trabalhado para conseguir atender a demanda do cenário considerado padrão, o de 1,1 mil leitos de UTI.

Atualmente, entretanto, a rede estadual conta apenas com 26 leitos de UTI no Hospital de Campanha de Goiás (HCamp). Já a rede municipal de Goiânia conta com 10 na Maternidade Célia Câmare, mais 9 no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFG), o que somam 45. Há leitos de UTI não exclusivos para Covid-19 em outros hospitais públicos sendo usado para casos suspeitos e confirmados da doença.

Goiás tem se destacado como um dos Estados onde população apresenta os maiores índices de isolamento social, com base em monitoramento feito por geolocalização de dispositivos móveis eletrônicos. Conforme reportagem do POPULAR mostrou nesta semana, esta taxa tem ficado sempre acima de 50% desde o dia 21 de março, sendo que em 12 dias desde então ultrapassou a marca de 60%. Para profissionais de saúde é fundamental que este índice continue elevado.

No estudo, é dito que com a conscientização dos goianos ajudando no processo de distanciamento, o pico dos casos é visível dentro dos próximos 30 dias. “Pode-se perceber mais claramente e já em curto prazo o pico de infectados e o início da redução de casos ainda nos próximos 30 dias, bem como o efeito de isolamento e distanciamento social no achatamento da curva, importante pela redução importante na demanda por leitos de hospital e de UTI, bem como na ocorrência de óbitos”, informam os responsáveis pela modelagem.

As projeções foram realizadas no dia 15 de abril, considerando a situação da epidemia no Estado naquele momento. Até então havia no Estado 304 casos confirmados, sendo 15 mortes. Até domingo, o número saltou, respectivamente, para 393 e 18.

Existe uma pequena variação temporal entre os picos dos três cenários, cerca de 10 dias entre um e outro, mas a diferença de vítimas é enorme entre cada um.

O estudo também apresenta cenários a médio e longo prazo, mas reforça que geralmente estas perspectivas são mais pessimistas do que realistas. Entretanto, servem para mostrar a diferença de curvas, notando-se as diferenças no achatamento das mesmas e o momento da redução. É ressaltado que numa análise de 90 dias, no melhor dos cenários, o número de mortes poderia chegar a 400.

Para os responsáveis pelo estudo, Goiás se tornou um local de transmissão comunitária da doença a partir de 27 de março, quando se havia registrado pelo menos 50 casos confirmados.

O que já se sabe em Goiás

O documento apresenta pontos importantes sobre a realidade do coronavírus em Goiás. É dito que apenas 4% dos casos tem resultado em internação e que o tempo médio de ocupação de leito é de 10 dias. Dentre os hospitalizados, apenas 10% evoluem para quadros mais graves e isso acontece geralmente após 5 dias de internação, requerendo mais 10 dias de UTI. E de cada 10 pessoas que vão para uma UTI, 4 morrem.