Espaços públicos do transporte de Goiânia estão passando por desinfecção periódica para reduzir o risco de contágio pelo novo coronavírus. A medida tem sido adotada em diferentes locais e reforçada em outros. Infectologista do Instituto Goiano de Oncologia e Hematologia (Ingoh) e mestre em imunologia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), João Alves diz que o ideal é que os cuidados continuem sendo tomados mesmo nestes locais desinfectados porque com o passar do tempo, a eficácia dos produtos utilizados vai sendo reduzida.

O Corpo de Bombeiros está, desde o último dia 3, realizando a desinfecção utilizando hipoclorito dissolvido em água para limpar terminais e plataforma de ônibus. Inicialmente, o serviço era realizado apenas nos cinco terminais do Eixo Anhanguera: Padre Pelágio, Dergo, Praça A, Praça da Bíblia e Novo Mundo, além das 19 plataformas. Agora, entraram no alcance do trabalho outros cinco terminais: Bandeiras, Goiânia Viva, Isidória, Parque Oeste e Vera Cruz.

O coordenador da operação é o tenente-coronel dos Bombeiros, Washington Luiz Vaz Júnior. Ele explica que o trabalho consiste em aplicar a solução de descontaminação, composta por hipoclorito diluído. “A solução é aplicada nos pátios, corrimões, guarda-corpo, pilastras, muretas e assentos. A intenção é reduzir, ao máximo, a possibilidade de contágio nestes espaços que não têm como serem fechados.” Este trabalho tem sido realizado em cada espaço a cada dois dias.

As ações ocorrem nas segundas, quartas e sextas-feiras e não têm data para serem interrompidas. As equipes são divididas por setores e as pessoas são orientadas a não se aproximarem durante a aplicação dos produtos, o que pode levar de cinco a dez minutos. Depois orientam os coordenadores dos terminais a pedirem que os passageiros aguardem mais cerca de dez minutos antes da liberação do pátio. Não é necessário limpar o local depois da desinfecção.

O comandante diz que, apesar de mudar a rotina de quem ainda continua tendo de sair de casa durante a o período de isolamento social, a reação das pessoas tem sido positiva. “Muita gente nos para, elogia, agradece.” A ação começa às 19 e segue até 23 horas. As equipes chegam, passam com a solução desinfetante, que está acondicionada nos veículos da corporação, que é jogada com uma mangueira com bico adaptado para este tipo de produto. “Os militares estão todos paramentados, usando roupas específicas para esta atividade.”

Esta semana, no Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, ocorreu um treinamento de servidores pelo Exército Brasileiro. A convite do superintendente do local, Antônio Erivaldo Sales, cerca de 30 funcionários passaram por curso com teoria e prática. Assentos, carrinhos de bagagens, corrimões, caixas eletrônicos e demais instalações do saguão de embarque e desembarque passaram pela limpeza específica. Também foram desinfetadas as partes internas e externas, check-in, a sala de embarque e até a marquise.

O superintendente afirma que esta é apenas uma medida que tem sido tomada. Aliado a isso, desde janeiro a Infraero começou com ações de informação, com foco na prevenção. Desde que ocorreu a confirmação de casos no Brasil, foram criadas salas de crise, núcleos estratégicos, além de parceria com o Estado e municípios. “Aliamos a outros personagens para que cada um, dentro da sua responsabilidade, tome as medidas que forem necessárias”, diz Sales.

No aeroporto foram fechadas as lojas da área de alimentação, para evitar aglomeração, além disso, houve a demarcação dos espaços para evitar que as pessoas se aproximem umas das outras. “Nossa orientação tem sido reforçar a limpeza, que é muito eficiente. Com o aumento do fluxo, faremos a desinfecção”, explica. Ele diz ainda que o terminal segue em operação reduzida, com cerca de três voos por dia. O local costuma, em dias normais, ter cerca de cem voos diários.

Cais

Superintendente de gestão de redes e atenção à saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia, Sílvio José de Queiroz diz que as unidades de saúde têm seguido os protocolos recomendados e que, quando necessário, ocorre o reforço. “Nossa maior preocupação é com a paramentação e a desparamentação do profissional. Se isso não for feito da maneira adequada, especialmente a retirada das roupas e equipamentos de segurança individual, pode ocorrer a contaminação.”

Ele explica que se a pessoa chega e veste suas roupas e equipamentos, realiza atendimentos e, porventura, atende uma pessoa com a doença, pode ser contaminado se não retirar esses itens da maneira certa, acondicioná-los nos locais adequados, seja no lixo ou no encaminhamento para as lavanderias, pode ser um risco. A coleta destes materiais não sofreu alteração. As mesmas equipes que, segundo ele, são treinadas para o transporte de outros tipos de lixo hospitalar ou de materiais para serem lavados continuam no serviço.

Sobre a desinfecção das ambulâncias, Queiroz diz que também não houve alteração, mas reforço da importância de atendimento aos protocolos de limpeza. “Após qualquer transporte de pessoas é necessário realizar a limpeza com água e sabão, depois com álcool 70. Neste período, os veículos precisam parar, mas é uma medida mais do que importante, ela é obrigatória”, diz.

Queiroz explica que tem ressaltado para os gestores de unidades que todo tipo de bancada deve ser limpo quando qualquer pessoa a utiliza. “Seja uma pia, um balcão, um banco. A limpeza com álcool 70 deve ser imediata. Além disso, temos orientado que seja feita a limpeza com água e sabão de todas as unidades antes e depois do expediente”, diz. O superintendente afirma que a mudança mais significativa percebida desde o início dos registros da doença em Goiânia foi o aumento do uso de equipamentos de proteção individual, que já chega a 500%.

Água e sabão

Infectologista do Instituto Goiano de Oncologia e Hematologia (Ingoh) e mestre em imunologia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), João Alves diz que água e sabão, para limpeza de qualquer área ou superfície é a mais indicada. “O ideal, para ser mais eficiente ainda no combate ao vírus, é que a limpeza, a depender do local, seja realizada várias vezes no dia, ou na semana.” O infectologista ainda diz que o álcool e o hipoclorito são ótimas opções, mas seriam alternativas à água e ao sabão tradicional.

A explicação é que o vírus é revestido por uma camada de gordura e o sabão é capaz de torná-lo inativo. “É muito mais fácil e eficiente”, diz. Ele destaca, no entanto, que limpeza e desinfecção são duas coisas diferentes. “O ideal é que a limpeza, com água e sabão, seja realizada todos os dias, seja na unidade de saúde, na casa, nos supermercados. Mas quando o fluxo de pessoas passa a ser muito maior, a desinfecção é recomendada.” Mas ele ressalta que não adianta passar o desinfetante uma vez e não manter a limpeza. “Um complementa o outro, nestes casos”, diz.

O infectologista explica que, depois da desinfecção com um produto geralmente tóxico, o local fica bastante seguro. Mas com o passar das horas, este efeito é reduzido até não ter mais eficácia.