Apesar de não se falar em uma data para o fim das restrições impostas para conter o avanço do novo coronavírus (Covid-19) em Goiás, o governo estadual aponta que a manutenção das medidas de distanciamento social vão resultar em uma menor expansão do Sars-CoV-2, o vírus transmissor da doença. O principal argumento do governo é que se isso não for feito o sistema de saúde pública entraria em colapso, aumentando o número de mortes por falta de atendimento e o agravamento da situação.

No decreto publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) no final da noite de domingo, é apenas informado que as suspensões e flexibilizações podem ser revistas “a qualquer momento em caso de comprovada necessidade” até que se possa dizer oficialmente que o estado de calamidade causado novo coronavírus no Brasil esteja resolvido. Apesar de, no decreto, ter sido reiterada por 150 dias a situação de emergência na saúde pública em Goiás, isso não significa que as medidas contidas no documento terão o mesmo prazo.

Em um documento chamado “Relatório de Assessoramento Estratégico”, anexado ao decreto estadual, que flexibiliza as medidas impostas em março pelo governador Ronaldo Caiado, são apontadas dúvidas quanto à possibilidade de se anular as restrições após o prazo de 30 dias da confirmação dos primeiros casos de transmissão comunitária em 27 de março. Os cenários propostos também consideram um período mínimo de mais 30 dias contados a partir desta segunda-feira (20) para as medidas terem efeito.

O governo estadual argumenta que as medidas restritivas adotadas antes que a transmissão do novo coronavírus em Goiás se tornasse comunitária, isto é, sem que a origem da infecção pudesse ser determinada, possibilitou uma expansão reduzida da contaminação, com um número menor de casos registrados. 

O relatório também alerta para que uma flexibilização maior em municípios menores – como sugerido por muitos prefeitos e parte da população - agravaria ainda mais a situação.

De acordo com o estudo – desenvolvido por profissionais de diversas áreas da Saúde ligados ao meio acadêmico e ao governo -, não há mecanismos mais eficientes até o momento além do distanciamento social para enfrentar a epidemia de Covid-19 considerando as estruturas, recursos e possibilidades atuais no Estado e no Brasil. Os responsáveis pelo documento apontam problemas com subnotificações e falta de testes suficientes para se ter um quadro mais preciso da doença em Goiás.

No mesmo anexo, o governo chamou de falaciosos os argumentos que contrapõem saúde e economia e afirmou que até o momento não se apresentou nenhuma justificativa sólida que permita um crescimento do contágio pelo vírus em prol de atividades econômicas. Também diz que economistas de renome não se contrapuseram às medidas restritivas de impacto financeiro considerável adotadas até aqui por governos estaduais e de outros países para enfrentar a epidemia da Covid-19.

“Assim são falaciosas as afirmações de que as medidas não farmacêuticas de isolamento social, quarentenas e fechamento de escolas matariam mais do que o próprio vírus, tendo em vista as repercussões negativas em termos econônimos”, opinam os responsáveis pelo relatório.

Caiado já havia anunciado que seu novo decreto seria respaldado por justificativas tanto na área da saúde pública como na da economia. O estudo analisou medidas adotadas em outros países e em São Paulo para avaliar quais atividades econômicas e sociais poderiam ser liberadas neste momento em que nos encontramos da epidemia no Estado.

Está prevista uma coletiva à imprensa transmitida ao vivo nas redes sociais a partir das 10 horas desta segunda-feira (20), na qual o governador pretende explicar mais detalhadamente o decreto.