Os condomínios horizontais de Goiânia têm adotado várias medidas visando reforçar os cuidados com a saúde de moradores e prestadores no enfrentamento ao novo coronavírus. Apesar dos 13 casos confirmados da Covid-19 em seis residenciais do tipo, conforme mostrado em levantamento do POPULAR na edição desta quarta-feira (8), alguns condomínios sofrem com descumprimentos das orientações internas e das restrições impostas por meio de decretos pelo governo estadual.

O residencial Jardins Valência, localizado na Avenida dos Resedás, na Vila Jardim Vitória, já tem quatro casos confirmados, fato que gera preocupação aos moradores e causa até mesmo disputas judiciais, de acordo com Robson Cunha do Nascimento Júnior, presidente da associação dos moradores do condomínio. “Algumas pessoas não entendem que é visando a própria saúde delas. Hoje nosso condomínio é sim foco da doença. Em função disso, entendemos que algumas medidas são necessárias, por mais drásticas que possam parecer. Desde o primeiro momento, optamos pelas medidas imediatas, de fechar áreas de aglomeração. Foi uma ação muito rigorosa, que resultou uma série de questionamentos por parte de moradores, que entenderam que as ações eram irregulares por serem amplas e extensivas, pelo tamanho das proibições.”

Apesar da criação de um comitê de crise, contando inclusive com moradores médicos e infectologistas, para orientação, as medidas geraram insatisfação de alguns condôminos. “Alguns moradores se sentiram no direito de questionar as determinações e ameaçaram acionar o condomínio na justiça, caso não houvesse flexibilização das regras. Para evitar que o condomínio tivesse qualquer responsabilidade futura, entendemos, por bem, cumprir literalmente o decreto (do governo), que não é claro com relação a áreas comuns, parque, pista de caminhadas. Diante disso, nós não opusemos mais acesso do morador a essas áreas, além dos prestadores de serviço. A responsabilidade fica a cargo de cada morador”, contou Robson Cunha. A parte de fiscalização e autuação de descumprimento do decreto governamental fica por conta da Polícia Militar, que já autuou alguns moradores por conta de obras.

A disputa judicial seguirá, com tentativa da associação poder tomar ações mais fortes que as previstas no decreto.

Sobre as ações já tomadas, Robson Cunha conta que menos funcionários estão trabalhando, além da proibição da circulação de pessoas na área de administração - que está funcionando apenas internamente, sem atendimento ao público -, além de reforçar a comunicação, por e-mail, aplicativo da associação, grupos de whatsapp e outros canais de comunicação internos.

Já o Residencial Alphaville Flamboyant, que teve dois casos confirmados, reforçou os cuidados com higiene e, para evitar aglomeração de moradores, fechou áreas comuns de entretenimento e lazer, conforme explicou o diretor-presidente da associação dos moradores, Júnior De Carli. “O que é de responsabilidade do condomínio, como academia, parques infantis, restaurante, relativos a entretenimento e lazer, tudo foi fechado. Antes mesmo do decreto ser publicado, adotamos medidas de cautela. O que segue liberado é a pista de caminhada ao entorno do lago, para contemplação, e a pesca, desde que seja individual”, detalhou.

O diretor-presidente contou que todas portarias são desinfetadas duas vezes ao dia, além da adoção de outros cuidados. “Adotamos medidas de higiene, precaução, vacinação drive-thru, em que mais de 1.200 pessoas foram vacinadas - e fechamento de locais que possam gerar aglomeração. A identificação biométrica foi suspensa, limitamos quantidade de acesso para quatro pessoas, simultaneamente por casa, existe campanha de conscientização no site, nos comunicados e banners”, ressaltou Júnior de Carli.

Ele lembra que os funcionários do Alphaville têm usado máscaras de fabricação doméstica, com orientação de higienização. Sobre possíveis punições para quem descumprir, explicou: “Não compete a associação. Foi muito debatido e discutido, mas não compete ao condomínio o poder de polícia. Fizemos recomendações em todos sentidos. Cada condômino cumpre com sua responsabilidade conforme decreto”, esclareceu

Os Jardins Florença, Jardins Milão, Portal do Sol 2 também tiveram dois casos confirmados em cada, enquanto o Aldeia do Vale teve um caso identificado.

Presidente do Sindicato dos Condomínios e Imobiliárias de Goiás (Secovi-GO), Ioav Blanche destaca que estão sendo reforçadas as conversas e orientações aos condomínios horizontais. “Fizemos recomendações gerais, para restringir áreas comuns, clubes e academias, além de proibir obras, que só podem acontecer em casos emergenciais. Temos reforçado a necessidade de cuidados também com os colaboradores, como respeitar a distância e fazer uso de álcool gel, por exemplo”, pontuou Blanche.

Apesar dos casos confirmados em condomínios horizontais, o presidente do Secovi admite que os condomínios verticais (prédios) merecem muita atenção. “A preocupação maior é com condomínios verticais, por conta das áreas comuns e de maior utilização destas, como elevadores. Reforçamos as orientações sobre limpeza, também através de grupos de Whatsapp, com os síndicos e administradores responsáveis.”