Mais gente, menos lugares. Esta é a estimativa da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) para a realidade do sistema metropolitano a partir desta quarta-feira (22), em razão de ser o primeiro dia útil após o decreto 9.653, do dia 19 deste mês. Isso porque o documento de autoria do governador Ronaldo Caiado (DEM) flexibilizou as medidas de restrição adotadas para o combate da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), em que a previsão é que mais pessoas possam sair de suas casas. No entanto, ao mesmo tempo, o decreto manteve as regras ao transporte coletivo, em que só é possível transportar passageiros na capacidade de usuários sentados por ônibus.

Já na segunda-feira, o presidente da CMTC, Benjamin Kennedy Machado conta que ocorreu aglomerações nos terminais e pontos de ônibus, em casos que tiveram de haver ação de policiais militares para organizar a entrada e saída de pessoas, mesmo se tratando de um feriado prolongado. Os dados de validações deste dia ainda não haviam sido fechados até ontem. Machado afirma que, assim mesmo, na última semana já havia registro de uma média de 137 mil usuários, mesmo sem as medidas de flexibilização.

A CMTC prevê que a partir desta quarta-feira (22), o número de validações chegue a cerca de 220 mil, o que representaria uma alta de 185% ante as 77.180 validações ocorridas há exatas quatro semanas, no dia 25 de março. Para se ter uma ideia, a última vez que o consórcio das empresas concessionárias do transporte coletivo (Redemob) verificou essa demanda foi no dia 19 de março, o último antes do decreto que estabeleceu a política de isolamento social. Na ocasião, as atividades educacionais presenciais no Estado já estavam suspensas e, assim, esse patamar de demanda para o sistema de transporte coletivo é equivalente a um período de férias escolares.

Machado conta que não há ônibus em quantidade suficiente no sistema metropolitano para atender essa demanda usando apenas a capacidade dos veículos para usuários sentados. “O Eixo Anhanguera possui capacidade máxima de transportar aproximadamente 4.888 usuários sentados por hora/pico em seus 94 veículos e a atual demanda chega a 7.500 usuários”, diz. Segundo ele, não há solução dentro do sistema e pela autonomia da CMTC capaz de resolver as aglomerações em terminais e ônibus e, por isso, é necessário que se tenha alguma proposta externa.

Ele afirma que tenta uma reunião com o governo estadual desde o final de março, mas não tem sucesso. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Inovação (Sedi) informa que “não houve um pedido formal ou informal de reunião por parte da CMTC para tratar de assuntos relacionados ao cumprimento dos itens relacionados ao transporte coletivo durante a pandemia de coronavírus”. Para o governo, é responsabilidade da companhia “elaborar um plano de trabalho que atenda às determinações do decreto estadual que proíbe a aglomeração de pessoas no interior dos ônibus do transporte coletivo, assim como nos terminais e pontos de ônibus, evitando a propagação do novo coronavírus”.

A CMTC afirma que vai tentar discutir com a Prefeitura de Goiânia uma solução para evitar as aglomerações. A proposta da companhia é estabelecer um escalonamento de horários para os usuários no período de pico da manhã. Pela proposta, às 6h o transporte seria para garis e coletores e trabalhadores de postos de combustíveis e panificadores. Às 7h, os ônibus seriam para a área de saúde e construção civil e indústrias alimentícias e farmacêuticas; em seguida, seriam para domésticas, faxineiras, vigilantes, porteiros, zeladores e funcionários em drogarias. Às 9h, trabalhadores de supermercados e demais locais liberados pelo Estado e, às 10h, as agências bancárias.