Atualizada às 22h30.

Após a Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) divulgar que está com 80% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) vagos, o governador Ronaldo Caiado propôs, neste domingo (17), que os centros de saúde cedam os equipamentos de UTI para o Hospital Municipal de Porangatu. A unidade está sendo montada para ser referência no enfrentamento ao novo coronavírus no Norte de Goiás. Em contrapartida, o Estado pagará um aluguel pela estrutura durante o tempo que durar a pandemia. 

Caiado fez o anúncio da proposta em seu perfil no Twitter. "Hospitais privados alegam, por meio da entidade que os representam (Ahpaceg), que estão com leitos de UTIs vazios em Goiânia. Por isso, o Estado está disposto a firmar acordo para que camas, respiradores e equipamentos dessas UTIs sejam alugados para o Hospital de Porangatu", publicou o governador.

Em entrevistas na última semana, Caiado havia destacado que os leitos vagos estavam concentrados na região metropolitana de Goiânia e que estaria preocupado com o interior. A ideia foi reforçada na publicação de hoje: "Atualmente só temos Anápolis para atender o Norte de Goiás. Já assinamos esse convênio com a Prefeitura de Porangatu para colocarmos o Hospital Municipal à disposição de vítimas do coronavírus. Agora precisamos acelerar a entrega da estrutura toda montada".

Principal cidade do extremo norte goiano, Porangatu está situada a 426 quilômetros de Goiânia, na divisa com o Tocantins. O Estado vizinho já decretou bloqueio total (lockdown) em 35 cidades. Pelo município goiano passa a BR-153, na rota que leva ao Pará, onde também há cidades com medidas de restrição extrema. Os dois exemplos foram citados pelo governador em postagem no Twitter.

"Pará já vive situação difícil e Tocantins também decretou lockdown em 35 cidades. Precisamos garantir a Porangatu, que está no eixo da rodovia Belém-Brasília, e a todo o Norte do Estado, Vale do Araguaia, condições de atendimento. Assim como fizemos em Luziânia, no Entorno do DF", pontuou.

A reportagem entrou em contato com a Ahpaceg, mas ainda não obteve retorno.

"Distância é crucial"
Para a secretária municipal de Saúde de Porangatu, Carla Marques de Oliveira Fernandes, a abertura do Hospital de Campanha no município deve ser prioridade, em vez de enviar pacientes a Goiânia e Anápolis, como acontece atualmente. “A distância é crucial, é uma inimiga para o combate a Covid-19. Nós já temos todos os riscos envolvendo o coronavírus, e normalmente esses pacientes que complicam são idosos e com comorbidades”, explicou.

Carla conta que a cidade, que atende 13 municípios da região, tem apenas uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) equipada com respirador. “Se tiver um grande número de pacientes necessitando desse transporte, eles podem morrer.”

De acordo com Carla, o hospital municipal passa por adaptações em uma ala para receber 24 leitos de UTIs. A ideia é transferir toda a estrutura da unidade para uma Unidade de Pronto Atendimento que está sendo finalizada no mais tardar até a próxima quarta-feira.

“Vamos abrir uma enfermaria para colocar pacientes em isolamento. A SMS tem quatro respiradores que serão utilizados até que o Estado resolva o problema da falta de equipamentos”, afirmou.

Após o fim da pandemia, a unidade deixa de ser um hospital de capanha e volta oferecer atendimento geral à população. O prédio da UPA terá outras atribuições, que estão sendo programadas pelo Ministério da Saúde. 

Todo esse esforça da secretaria municipal não se deve apenas ao combate à pandemia. "A gente conta que o governo do Estado cumpra com o combinado de nos deixar 10 leitos de UTI sediados em Porangatu como legado desse trabalho, sendo essa uma reivindicação de muitos anos do Norte goiano."

Atualmente o município, situado às margens da BR-153, registra nove pacientes contaminados, mas nenhum está internado. De acordo com a secretária, são quatro caminhoneiros e os demais são contato desses caminhoneiros. "São pessoas que não puderam parar, que são dos serviços essenciais", explicou.