Atualizado às 20h24

Os 203 brasileiros que estão retidos no Marrocos após o fechamento do espaço aéreo do país serão repatriados em um voo fretado. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (19) pelo governo federal. Segundo o Itamaraty, a volta para o Brasil deve ocorrer nesta sexta-feira (20). No grupo, há ao menos dois goianos, que retornariam para o Brasil na última terça-feira (17) e tiveram seu voo suspenso no aeroporto de Casablanca, cidade em que estão, após o governo local adotar medidas de contenção da pandemia do novo coronavírus. 

Ao POPULAR, eles relataram dificuldades para a permanência no local, diante da escassez de recursos financeiros, dos obstáculos para conseguirem uma hospedagem e da falta de informações oficiais.

“Eu deveria ter ido embora no último dia 17 e minhas reservas estão acabando. Estamos dormindo com outros sete brasileiros em um hotel e juntando as moedas pra comer. Aqui funciona tudo à base de dólar e euro e não temos condições de passar nem mais um dia aqui”, diz o personal trainer Fernando Cezar Sabino, de 31 anos. Ele e a amiga Thaís de Cássia Dias, de 32 anos, estavam em viagem pelo Deserto do Saara quando houve o fechamento das fronteiras do país africano.

De acordo com o Ministério do Turismo, o grupo de brasileiros será resgatado por uma aeronave fretada pela rede de televisão Record TV junto à companhia aérea Latam. Isso porque uma equipe de 73 funcionários da emissora participava da gravação de uma novela no Marrocos.

Peru

A primeira operação de resgate de brasileiros que estão fora do País será feita no Peru e está prevista para esta sexta-feira (20). O governo federal obteve autorização para a operação de repatriação após a mobilização de autoridades dos ministérios do Turismo, das Relações Exteriores e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A operação é coordenada pela Embaixada do Brasil em Lima em conjunto com as companhias aéreas Latam e Gol. Nos dois primeiros voos, 704 peruanos devem ser levados para Lima e 622 devem retornar do país andino.

Entre os 3.770 turistas brasileiros que estão no país, segundo dados do Itamaraty, estão o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Edemilson Cardoso, e a mulher, Mônica Pureza Gomes Cardoso. Eles estão no Peru há dois meses e tinham retorno previsto para o próximo sábado (21). A volta foi impossibilitada após um decreto de emergência assinado pelo presidente Martín Vizcarra bloquear todas as vias de acesso ao território peruano. Porém, como estão em Cusco, ainda não possuem perspectiva de retorno, já que os vooes serão direcionados a Lima.

O repatriamento do docente foi solicitado ao Núcleo de Assistência a Brasileiros (NAB) do Ministério das Relações Exteriores pelo Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg-Sindicato).

“A situação do docente e demais goianos que estão lá dão conta da extrema necessidade de que o Governo Federal promova todas as medidas necessárias para repatriação dessas pessoas”, afirma o documento do sindicato, que foi assinado pelo presidente do Adufg-Sindicato, professor Flávio Alves da Silva, e pelo assessor jurídico da entidade, Elias Menta Macedo.

Outros países

Ainda há negociação do governo federal para a retirada de mais de 800 brasileiros que estão em Portugal. A repatriação é tratada com as companhias aéreas TAP e Azul, mas, até o momento, não há definição.

O Itamaraty informou, por meio de nota, que um Grupo Especial de Crise para assuntos consulares e migratórios (G-CON) foi criado para auxiliar os cidadãos brasileiros que estão impedidos de retornar ao País.

"No momento, os esforços estão concentrados em gestões diplomáticas com autoridades nos diversos países, para abertura excepcional de espaços aéreos, e em entendimentos com companhias aéreas, para a realização de voos destinados a repatriar os brasileiros", diz o órgão, que também pede calma àqueles que se encontram em tal situação.

"Recomenda-se a todos os cidadãos brasileiros no exterior que mantenham a serenidade e observem estritamente as medidas determinadas pelas autoridades locais, e que, se necessário, busquem contato direto com o Consulado ou Embaixada do Brasil responsável pela região onde se encontram".