Os 58 brasileiros que cumpriam quarentena em Goiás deixaram, na manhã deste domingo (23), a Base Aérea de Anápolis, a 55 quilômetros de Goiânia, após 14 dias de isolamento. Os 34 repatriados da China resgatados em Wuhan, epicentro do surto do novo coronavírus (Covid-19), e os 24 profissionais que atuaram na Operação Regresso à Pátria Amada Brasil partiram em duas aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).A primeira aeronave decolou às 11h40 e levou parte do grupo para a Base Aérea de Brasília. Estavam no voo o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, e 20 passageiros. Desses, 9 militares, 1 profissional do Ministério da Saúde, 1 profissional da EBC e 9 repatriados devem desembarcar na capital federal. Outros 13 seguem para São Paulo, sendo 11 repatriados, um militar e uma integrante do Ministério da Saúde. Por volta das 11h45, o segundo avião decolou, levando o restante do grupo.Antes de deixar a base, o grupo participou de uma cerimônia de encerramento da quarentena com a presença do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o prefeito de Anápolis, Roberto Naves. No evento, crianças que ficaram no Hotel de Trânsito adaptado para recebê-las prestaram homenagem e entregaram uma bandeira do Brasil como agradecimento ao ministro da Defesa. "Essa bandeira será entregue para o presidente. Estamos aliviados que todos resultados deram negativo. Bom retorno e que Deus os acompanhe", disse Azevedo.Emoção e alívioAlívio e gratidão foram os sentimentos mais citados na cerimônia de despedida realizada pela Força Aérea Brasileira (FAB), que marcou o fim do confinamento. O evento ocorreu depois que o Ministério da Saúde emitiu um documento, que foi enviado para o Ministério da Defesa recomendando que o grupo poderia ser liberado após três exames para a detecção do novo coronavírus darem negativo. Um dos poucos familiares dos repatriados que esteve presente no evento foi o servidor público aposentado José Neves, de 60 anos. Ele, que ficou hospedado em Anápolis à espera do filho Vitor Campos Moura Neves e Siqueira, de 28 anos, desde antes do início da quarentena, demonstrou grande ansiedade para reencontrar o filho. No momento em que o viu, abriu um grande sorriso e lágrimas escorreram pelos olhos de José. “Eu estava quase saltando lá na frente e pulando todos os protocolos que foram determinados. Estava morrendo de saudade dele. Não me aguentei e logo que pude o abracei. A sensação é de alívio e gratidão à vida”, explicou.Durante toda a cerimônia o grupo permaneceu unido e diversas homenagens ocorreram durante o evento. Uma delas partiu dos repatriados que entregaram através de duas crianças uma bandeira do Brasil para o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, em sinal de gratidão pelo trabalho realizado pelo governo brasileiro.Um dos momentos de maior emoção foi quando um dos militares, o suboficial Athayde da Silva Soares, nutricionista e integrou a equipe que cuidou da alimentação do grupo, foi entregar uma homenagem à repatriada Lizia e ao filho Matheus. Em meio a um choro intenso, Athayde abraçou intensamente a mulher e entregou uma placa com o nome da criança para a mãe, que correspondeu o forte abraço e também chorou muito.Antes de embarcar, dois repatriados, o paulista Caleb Guerra, de 28 anos, e o mineiro Alefy Rodrigues, de 26 anos, disseram que o sentimento geral do grupo era de alívio. “Estou muito feliz”, disse Caleb. “Os dias aqui foram ótimos, mas estou feliz em ir para casa”, enfatizou Alefy segundo antes de embarcar na aeronave que o levaria ao encontro da família.O ministro da Defesa agradeceu toda a equipe que trabalhou no resgate dos repatriados e na quarentena. “Todos os exames deram negativo e ver eles embarcando para os seus lares é um alívio”, enfatizou. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), afirmou que a quarentena serviu para mostrar que o povo goiano é acolhedor. “Prevaleceu a tese de que a solidariedade vence o medo. É um momento de arrepiar e encher os olhos d’água. O goiano é um povo acolhedor e que não tem o vírus do preconceito”, disse Caiado.Saída antecipadaInicialmente, a quarentena estava prevista para 18 dias, mas terminou quatro dias antes. A decisão do Ministério da Defesa, que coordena a operação, foi tomada após a recomendação do Ministério da Saúde, que confirmou os resultados negativos nos últimos exames realizados no grupo para o vírus. A terceira coleta de material foi realizada na sexta-feira (21), e os resultados liberados no sábado (22).No dia 5 de fevereiro, duas aeronaves da Força Aérea Brasileira foram à China buscar brasileiros em Wuhan, epicentro da doença que já matou mais de 2.300 pessoas na China . Entre brasileiros e familiares de outras nacionalidades, 34 chegaram ao Brasil no dia 9 de fevereiro. Além dos repatriados, 24 profissionais que fizeram parte do resgate também cumpriram a quarentena contados a partir da decolagem do avião brasileiro no dia 5. O procedimento é um protocolo internacional para evitar a disseminação da doença no Brasil.Até o momento, no Brasil, não há registro de casos da doença. O mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde mostra que, no período entre 18 de janeiro a 21 de fevereiro de 2020, foram notificados 154 casos para investigação de possível contaminação pelo coronavírus (Covid-19). Desse total, apenas um caso caso permanece em investigação como caso suspeito; 51 foram descartados por confirmação laboratorial para outros vírus respiratórios e 102 foram excluídos por não atenderem à definição de caso.-Imagem (1.2000569)-Imagem (1.2000571)-Imagem (1.2000570)-Imagem (1.2000565)-Imagem (1.2000527)