Em greve, funcionários dos Correios e bancários fizeram uma manifestação conjunta nesta sexta-feira (30) em São Paulo. As duas categorias estão de braços cruzados, respectivamente, a 16 e 4 dias. A passeata partiu da Rua Líbero Badaró e seguiu pelas ruas do centro antigo da cidade. Com carros de som, apitos e bandeiras, os trabalhadores fecharam as vias por onde passavam.

De acordo com a presidente do sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, a mobilização tem se mostrado mais forte que nos anos anteriores, com participação grande dos trabalhadores dos bancos privados. “Além da proposta salarial dos bancos, que é insuficiente, os bancários não aguentam mais as condições de trabalho, que deixam muitos funcionários em depressão ou com doenças similares”, disse.

Balanço divulgado ontem (29) pelos bancários mostrava que 7.672 agências e centros administrativos de bancos públicos e privados em 25 estados e no Distrito Federal estavam com os trabalhos interrompidos. O número representa um aumento de 3.481 unidades em relação ao primeiro dia do movimento.

Em relação à greve dos Correios, a empresa manteve a proposta de aumento linear de R$ 80 a todos empregados, reajuste salarial e dos benefícios em 6,87% e abono imediato de R$ 500. Segundo os Correios, os valores representam 9,9% de ganho real no salário-base inicial de agente de correios.

A principal divergência entre a empresa e os funcionários é sobre o desconto dos dias parados. Ontem, a diretoria dos Correios apresentou uma proposta de descontar os dias não trabalhados na proporção de um dia de greve por mês. Mas os trabalhadores não aceitaram, e propuseram a compensar os dias de greve com horas extras e mutirões para colocar o serviço em dia.

Os sindicatos informaram que a proposta da estatal até poderia ser levada à discussão se não estivesse atrelada ao desconto dos dias parados. Os funcionários reivindicam aumento linear de R$ 200, reposição da inflação de 7,16% e aumento do piso salarial de R$ 807 para R$ 1.635. A categoria também exige a contratação imediata de todos os aprovados no último concurso público dos Correios.