A Defesa Civil municipal monitora cinco pontos em quatro localidades de Goiânia (veja mapa), nas imediações do Rio Meia Ponte que correm risco de alagamento. O motivo são as fortes chuvas que causaram transtornos aos moradores destas regiões nesta quarta-feira (22). Quase 30 bairros foram atingidos na região e 30 famílias ficaram desalojadas. Como o volume de chuvas vai seguir rio abaixo e as precipitações devem continuar, o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) emitiu um alerta para todas as regiões da Bacia do Rio Meia Ponte.

Os principais pontos acompanhados em Goiânia, de acordo com o chefe do Setor de Apoio Técnico da Defesa Civil, Cidcley Santana, estão no Setor Urias Magalhães, Residencial Recanto do Bosque, Jardim Califórnia (na GO-403), e com menor chance de ser afetado, o Jardim Balneário Meia Ponte. “Esta água toda passou pelas regiões Noroeste, Norte, Campinas/Centro, e Leste”, informa Cidcley Santana. Dentre todos locais, somente no Recanto do Bosque foi necessário até agora desalojar os moradores.

Nesta quinta-feira (23), a equipe da Defesa Civil deve voltar aos locais para verificar a situação e averiguar se mais pessoas precisam ser desalojadas. Os moradores que são desalojados saem das residências pelo risco de enchente e procuram casas de parentes ou de amigos para ficarem hospedados durante o período de risco. Já aqueles que são desabrigados, são levados pelo poder público, que busca um local para estas pessoas. Alguns são encaminhados à Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas).

“Verificamos que em alguns casos as construções são irregulares”, relata Santana. Segundo a Defesa Civil, um relatório deverá será elaborado e enviado à Semad, já que se trata de uma área de preservação permanente.

O principal motivo para os alagamentos é a alta no nível águas do Rio Meia Ponte, na região metropolitana de Goiânia, devido as fortes chuvas. A informação é da Semad. Enquanto uma nova visita não é feita, a secretaria enviou uma recomendação com um alerta de observação aos moradores que vivem nas proximidades. “Pedimos à população que vive nestes pontos que mantenham uma observação constante do nível das águas até o próximo final de semana”, diz o gerente do Cimehgo da Semad, André Amorim.

“A água irá percorrer o caminho até o município de Itumbiara, com alto volume. Caso a população observe que o rio está subindo, a recomendação é sair do local, retirar animais e procurar as autoridades responsáveis”, conclui Amorim.

Á água que chegou à capital e causou o transbordamento do rio em alguns locais vem da região de Inhumas, segundo Amorim. As fortes chuvas caíram por lá e também sobre a região de Ituaçu na última segunda-feira (20) e com isso, elevaram as águas do rio em mais de 4,5 metros (m), o que causou alagamentos. André Amorim ressalta que na capital, o acréscimo foi ainda maior: 6 m.

Por causa da situação preocupante, o órgão emitiu um alerta geral para as regiões banhadas pela Bacia do Rio Meia Ponte, já que podem receber mais chuvas nos próximos dias.

Um dos pontos na capital que foi afetado pela elevação no nível do manancial foi a Avenida Nerópolis, que liga o Jardim Balneário Meia Ponte ao Câmpus da Universidade Federal de Goiás. A água no local transbordou e a passagem foi interditada nesta quarta-feira. A ponte da Avenida das Pirâmides, no Jardim Califórnia, na capital, também foi interditada na última segunda-feira (20) por conta de uma erosão. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos informou que o trabalho de recuperação pode levar cerca de 20 dias para ser concluído.

A cheia também deixou um morador e quatro cães ilhados no local. Outra pessoa foi retirada de um rancho de forma preventiva. O capitão do Corpo de Bombeiros, Luciano Alexandre Freitas, contou que foram enviados 13 militares com o auxílio de um bote para a operação.

Previsão

A previsão, de acordo com André Amorim, é que os próximos dias sejam de pancadas de chuvas isoladas. “Estamos passando por um corredor de umidade. Por isso somente no fim de semana o tempo começará a ficar mais estável”, afirma.

 

Famílias reclamam de alagamentos

Um cenário recorrente. É assim que os moradores da Vila Roriz, no Residencial Recanto do Bosque, em Goiânia, definem a situação da nova enchente que atingiu o bairro nesta quarta-feira devido as fortes chuvas que caíram na região. A autônoma Ana Paula de Oliveira, de 34 anos, conta que mora no local há mais de 15 anos, mas que se mudou para um ponto mais alto do bairro justamente tentando fugir dos alagamentos. “Toda vez que chove a gente entra em pânico e é certeiro que vai alagar tudo”, lamenta.

Toda a família de Ana Paula mora na região e sofre com as consequências, segundo ela. “Chega a ser uma situação constrangedora. Todos sabem que vamos ter prejuízos e, mesmo assim, o poder público não toma providência que solucione o problema”, reclama. Ela relata que a cunhada que vive no setor tem dois bebês e mais uma criança com deficiência. “É uma situação tão difícil, e preocupante, porque as pessoas perdem tudo. 

Principalmente as crianças, que são muitas aqui”, conclui. 
O vendedor Matheus Henrique de Sousa, de 21 anos, conta que mora com a avó e, por viverem na parte baixa da região, o local é duramente afetado. “A chuva começou por volta das 10 horas. Logo começou a subir a água. Larguei o serviço e passei o dia ajudando minha avó a levantar os móveis”, afirma. “Colocamos tijolos para prevenir ao menos um pouco o estrago”, acrescenta.

“É muito ruim termos de passar por isso. Não nos sentimos seguros e nem amparados. Quem ajuda de verdade aqui é um rapaz que tem uma canoa”, diz. O morador da região passou a tarde desta quarta-feira ajudando na retirada de crianças e animais. “Toda vez que alaga, vem cobra ou jacaré. Então temos medo de caminhar”, explica. Sousa relata ainda que, por precaução, passará as próximas noites na casa dos pais. A avó também saiu do local onde vive.

O local faz parte das áreas monitoradas pela Defesa Civil de Goiânia.