Desde o último decreto do governador Ronaldo Caiado que flexibilizou o distanciamento social e expandiu a permissão para retomada da atividade comercial, do dia 19 de abril, o número de novos casos de coronavírus (Covid-19) praticamente dobrou em Goiás. Eram 393 registros, passando agora para 781 infecções, um aumento de 98%, segundo os dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO).

É, inclusive, a primeira vez que a SES-GO computa por cinco dias consecutivos mais de 40 pacientes infectados em 24 horas, culminando em um recorde nesta quinta-feira (30), quando o Estado registrou 76 novos casos de Covid-19 de um dia para o outro. O boletim epidemiológico mostra que 29 pessoas morreram em decorrência do vírus, 11 mortes durante o período mencionado, de 19 a 30 de abril, representado 38% do total de óbitos. 

Embora mais pessoas tenham sido acometidas pela doença no Estado, autoridades sanitárias e profissionais da saúde acreditam que o impacto do relaxamento do distanciamento social será observado, principalmente, na próxima semana, tendo em vista o período de manifestação de sintomas nos pacientes infectados, a procura por exames e a divulgação dos resultados deles. Como mostrou O Popular, o Laboratório Estadual de Saúde Pública (Lacen) já informou que o resultado de exames costuma ficar pronto em média depois de cinco dias. Prefeitos, no entanto, afirmam que essa média é de sete dias.

Goiânia computou mais 41 casos nas últimas 24h, chegando a 448 pacientes infectados no total e 12 óbitos.

Em Aparecida de Goiânia, com a contratação de um laboratório e ampliação de testagem, o número de pacientes infectados passou de 23, no último domingo (26), para 50 casos nesta quinta-feira, com duas mortes registradas. A cidade é a segunda com mais confirmações da doença em Goiás.

 

Distanciamento social

Reportagem do POPULAR desta semana mostrou que Goiânia registrou uma taxa de isolamento social de 38,2% na última quinta-feira (23), apenas quatro dias após a publicação do decreto estadual que flexibiliza as medidas de restrição para conter o avanço do novo coronavírus (Sars-CoV-2). É a primeira vez o índice fica abaixo de 40% desde o dia 21 de março, quando os goianos passaram a seguir com mais rigor as regras de distanciamento determinadas pelo governador Ronaldo Caiado (DEM).

O biólogo, pesquisador e professor pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Thiago Rangel, diz ser possível afirmar haver uma relação entre o índice de isolamento monitorado por telefonia e o potencial de transmissão do vírus e que estudos apontam que o ideal mínimo é que o primeiro indicador fique acima de 50%. Segundo ele, o potencial do vírus, neste caso, fica em um nível aceitável para os recursos hospitalares existentes no Estado.

A doutora em saúde pública e epidemiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), Erika Silveira, afirma ser preocupante não apenas a queda no índice de isolamento como também as aglomerações notadas em pontos de embarque de ônibus, igrejas, salões de beleza, supermercados e agências bancárias, como nos casos dos saques do auxílio emergencial do governo federal.

Diante desse cenário, o governador Ronaldo Caiado chegou a afirmar que pensa em fechar comércio novamente após tumultos em Goiânia como medida de enfrentamento ao novo coronavírus.

Desde o decreto de flexibilização, publicado na noite do último domingo (19), os prefeitos goianos passaram a ter autonomia para definir as medidas de combate ao avanço da Covid-19. Na quarta-feira (22), o POPULAR publicou um levantamento mostrando que 80% dos municípios liberaram comércios e atividades sociais.