Ter um bicho de estimação faz parte do sonho e da realidade de diversos brasileiros. Não são poucos os que buscam num animal o companheirismo para o dia-a-dia. Cachorros, gatos, pássaros e roedores são tão comuns na rotina das pessoas que, recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que fará a contagem dos animais para que haja mais ações voltadas para a saúde humana e do animal. Nas ruas e nas redes sociais, cada vez mais grupos se movimentam para ajudar animais perdidos, abandonados e maltratados. 

O interesse pelos companheiros do reino animal, no entanto, às vezes cruzam a barreira dos já consagrados e queridos cães e gatos. Muitos preferem apostar na criação de novas espécies. 

É o caso do veterinário Clayton Andrade que, além de ter escolhido a proximidade dos animais como profissão, tem os seus próprios bichos de estimação. Apaixonado pelos animais exóticos desde a universidade, Clayton cria uma série de animais, como a calopsita - pássaro australiano que tem conquistado cada vez mais o espaço no mercado - e o furão. 

“São animais extremamente divertidos e inteligentes que, quando você se acostuma, são uma ótima companhia”, afirma o veterinário. 

Especialista na área, o doutor não se cansa de falar das qualidades dos animais, mas também alerta para os cuidados especiais que as espécies mais exóticas precisam. Segundo ele, são animais que não estão historicamente acostumados com o homem e podem ter um comportamento que nem todos estarão familiarizados. 

“A pessoa tem que se preparar ao adquirir um animal diferente. Alguns têm o cheiro muito forte, por exemplo. No caso do furão, se ele não for bem cuidado, pode fugir ou provocar estragos em móveis da casa, pois é da natureza do animal escapar e se esconder”, explica. 

Carinho pelas araras

Quem também fez a preferência pela companhia dos animais silvestres foi o empresário João Esteves. Dono de uma loja de animais, João cria algumas espécies exóticas como uma arara-vermelha, dois lagartos teiús e até mesmo uma jiboia.

O apego pelos animais é tanto que João não se acanha ao colocar a arara, carinhosamente chamada de Clodovil, nos braços e enchê-la de beijos enquanto fala sobre a espécie e os cuidados especiais com os animais. 

Além do interesse e do carinho pelos bichos, o empresário gosta de reforçar a legalidade na aquisição dos bichos, hoje em dia proibidos para venda pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Todos os animais de João são registrados e foram criados em cativeiro.

Animal legal

Segundo a analista ambiental do Ibama, Ana Carolina Dias, todo animal silvestre (não classificado como doméstico pela portaria nº93 do instituto) deve ser adquirido de um revendedor autorizado ou criadouro que reproduz com autorização.

“O proprietário de um animal exótico deve sempre portar a documentação de origem do mesmo e se certificar que a marcação dele esteja correta”, esclarece.

De acordo com Clayton, é importante a aquisição do animal pelos meios da lei, pois a saúde dos animais e dos donos é garantida. Ele explica que uma espécie que é retirada a força da natureza e passa pelas mãos do tráfico pode sofrer traumas, além de vir carregada de doenças que podem se manifestar nos proprietários.

“Um animal criado em cativeiro já está condicionado ao relacionamento com o homem, está acostumado com ração e é mais manso, propício para a criação como doméstico”, comenta.

Tanto Clayton como Ana Carolina acreditam que o esclarecimento da população em relação à legislação tem sido benéficas para a inserção das espécies silvestres no mercado nacional. O veterinário destaca que, cada vez mais, a busca por espécies menos populares tem crescido e a tendência é a legislação compreender isso e dar mais abertura.

“É o caso da calopsita, que é um animal silvestre australiano, mas conquistou tanto espaço entre criadores e apreciadores da espécie que hoje em dia é listado como doméstico e legalizado para quem tiver interesse”, conta.

Ana Carolina explica que essa abertura da lei é uma tendência natural, mas que acontece de forma lenta, já que depende de uma série de resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que visa não só a inserção no mercado, mas a preservação das espécies, saúde dos animais e dos donos.

“É importante ressaltar que a lei não está aí para impedir a aproximação das pessoas aos bichos. Não é proibido ter animais, mas é importante garantir que ele seja legal, bem tratado e possa continuar na natureza”, explica a analista.