Atualizada às 13h55 - 01/02/2018Depois de um ano e quatro meses de investigação, seis pessoas foram indiciadas por estarem envolvidas em um esquema de roubo de veículos comandado de dentro da cadeia por André Daher Elias, de 29 anos, conhecido ladrão de caminhonetes e carros de luxo na capital, preso desde 2014 por tráfico de drogas. As investigações começaram em agosto de 2016 e os investigadores descobriram que a namorada do criminoso era a responsável por gerenciar as ações da quadrilha de fora da cadeia.Segundo o delegado que coordenou a investigação, Paulo Ludovico Evangelista da Costa, a mulher é estudante do 9º período do curso de Direito e repassava informações da organização criminosa para o suspeito, dentro do presídio, e ele orientava sobre onde roubar e como roubar. “O André, além de determinar o que era para ser feito, fornecia armamento para esse grupo atuar”, explica. Ainda de acordo com o delegado, a namorada do preso chegou a levar os criminosos aos locais onde eles deveriam cometer os crimes.Costa destaca que André e a namorada conversavam de várias maneiras, até por carta. “Algumas cartas identificadas no computador da jovem mostram que ela, por ser estudante de Direito quase formada, usava seu conhecimento jurídico para auxiliar o André e os demais cooptados. Ela fornecia informações processuais de quem estava sendo preso e até chamava advogados para auxiliar o grupo”, afirma.Além de André, que já está preso, e da namorada, presa por receptação, foram detidos mais quatro suspeitos de integrar a quadrilha. Eles são apontados como “os ladrões do grupo”, que executavam as ordens de André repassadas pela namorada. Em um dos crimes, ela foi “presenteada” com um celular roubado junto com uma VW Saveiro, em novembro passado.MensagensO delegado afirma que a participação da jovem está muito clara. Há mensagens entre o casal que confirmam essa relação criminosa. Em uma das conversas, ela agradece o celular, que foi apreendido durante a operação. Também foi apreendida uma balança de precisão e algumas porções de drogas. Foi confirmado que quatro carros foram roubados no período de investigação, mas todos recuperados e devolvidos. Além da ordem de roubo de veículos, André chegou a ordenar assaltos em Goiânia, Aparecida e Pirenópolis, mas o delegado não confirma se os crimes ocorreram.Essa etapa da Operação Cooptação foi concluída, mas o delegado adiantou que os investigadores ainda deverão verificar possíveis novos grupos ou pessoas ligadas a Daher. Ao todo foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e cinco prisões. O líder da quadrilha foi levado à delegacia para prestar depoimento, mas já voltou para a Penitenciária Odenir Guimarães, em Aparecida de Goiânia.A reportagem tentou falar com o advogado de André Daher, mas as ligações não foram atendidas até o fechamento desta edição -Imagem (1.1451489)-Imagem (1.1451451)-Imagem (1.1451450)