Desde o início da proliferação do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil, no final de fevereiro, e com a confirmação de casos em 25 dos 27 Estados brasileiros, a discussão sobre a manutenção ou não dos serviços de transporte ainda não apresentou um padrão. Até agora, 13 das 27 capitais reduziram a oferta dos ônibus ou das viagens como forma de contenção da Covid-19. Atualmente, entre as capitais brasileiras, apenas em Florianópolis (SC) o serviço está completamente suspenso, conforme determinação municipal e com duração para uma semana (ver quadro ao lado).

No geral, as cidades têm adotado medidas semelhantes à que ocorreu na região metropolitana de Goiânia, com redução nos serviços entre 20% e 30%, mesmo que a queda na demanda seja maior. A Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), por exemplo, estima que na Grande Goiânia já houve diminuição de 56,88% nas validações na comparação entre os dias 12 e 19 deste mês. No caso, a companhia chama a atenção para o fato das gratuidades terem caído 64%, o que mostra a utilização do transporte por parte de estudantes, mesmo que as aulas já tenham sido suspensas desde o início da semana.

A situação imposta pelo último decreto do governador Ronaldo Caiado (DEM), em limitar a capacidade de lotação dos veículos apenas para a quantidade de passageiros sentados, já foi realizada no Rio de Janeiro (RJ), tanto nos metrôs, trens, Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), como em ônibus e em BRTs (Bus Rapid Transit, da sigla em inglês), e também em Porto Velho (RO), sendo a única capital da Região Norte, com medida restritiva ao transporte coletivo. Há casos como em Brasília (DF), em que cerca de 50 linhas foram incrementadas com mais cem ônibus, já que estes foram retirados de outras linhas que tinham como destino principal locais como escolas e universidades, em que as atividades escolares estão suspensas.

Já em São Paulo (SP), a ideia da Prefeitura e do governo local foi de não modificar a operação, com o entendimento de que prejudicaria a locomoção dos trabalhadores de serviços essenciais, como hospitais, farmácias e mercados. No entanto, as cidades do chamado ABC paulista, na metrópole paulista, tiveram os serviços suspensos. Por outro lado, houve a suspensão das gratuidades estudantis na capital paulista, como já ocorreu em Goiânia e em Vitória (ES). Neste caso, o serviço foi suspenso para os chamados ônibus seletivos, que são acessórios e diferenciados, e aqueles veículos com ar-condicionado.

Em Belo Horizonte, o sindicato das empresas concessionárias do serviço haviam reduzido a operação em 30%, mesmo sem a permissão do poder concedente e, depois, a prefeitura local reduziu a operação em 5%. Lá, há movimento na Assembleia Legislativa para a suspensão total do serviço na capital mineira. O entendimento do presidente da CMTC, Benjamin Kennedy Machado, é que esta seria a melhor medida em relação ao transporte, tendo sido tomada em locais nos quais a proliferação da Covid-19 tem sido menos drástica. Ele cita, por exemplo, a província de Lodi, na Itália, em que a curva de crescimento dos casos apresenta um pico menor do que em outras cidades do país.

Para se ter uma ideia, na China, especialmente nas cidades próximas a Wuhan, epicentro da crise da Covid-19, todo o sistema de transporte coletivo ficou paralisado para evitar o alastramento dos casos ou a chegada de mais pessoas que funcionariam como vetor. Já há dois dias em que não se tem casos locais da doença no país. Outros países em que a situação é descrita como caótica, como Itália, Espanha e França, o sistema de transporte coletivo tem tido restrições, estando suspenso nas cidades da região da Lombardia na Itália, onde há o maior número de casos e sendo este o país com o maior número de mortos pela doença.

Na Coreia do Sul, tido como exemplo no combate ao coronavírus, o sistema não chegou a ser suspenso e houve um incremento na limpeza e higienização dos veículos ao fim de cada viagem. No entanto, lá, como houve a política de testagem em massa, os usuários eram avisados sobre as linhas em que pessoas contaminadas se locomoveram e, assim, caso também estivessem no local, deveriam realizar o exame da Covid-19.