Atualizado em 17.4 às 9h2.

Dos 184 casos comprovados de novo coronavírus (Sars-CoV-2) em Goiânia, 28% são dos próprios profissionais da saúde infectados. Boletim divulgado nesta quinta-feira (16) pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mostra que 52 pessoas contaminadas na capital são, principalmente, médicos (42%), enfermeiros (17%), técnicos em enfermagem (12%) e técnicos de laboratório (8%). Do total de ocorrências já confirmadas, há 46 com o perfil do paciente ainda em investigação, o que pode elevar este porcentual.

Uma destas vítimas do coronavírus é a técnica de laboratório Adelita Ribeiro da Silva, de 38 anos, que morreu por Covid-19 no dia 4 de abril. Ela trabalhava no Cais Novo Mundo e no Hemolabor. A morte dela causou bastante comoção na categoria dos profissionais de saúde.

É a primeira vez que este tipo de informação é compartilhada pelos órgãos públicos de saúde no Estado. A titular da SMS de Goiânia, Fátima Mrué, afirma que é uma forma dar mais transparência ao quadro da Covid-19 na capital e chamar a atenção da sociedade para esta situação, principalmente alertar os profissionais de saúde e unidades que os empregam dos riscos que estão correndo.

Fátima diz que a contaminação de profissionais de saúde pelo novo coronavírus é uma realidade no mundo inteiro e que desta vez tem sido de uma forma mais agressiva, não vista em outras epidemias, como a do H1N1 em 2009. “A maior parte destes profissionais de saúde (infectadios) são médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem e de laboratório, são as pessoas que estão em contato mais frequente com os pacientes.” 

Ela cita também o caso dos técnicos de laboratório, profissionais que estariam em um contexto de alto risco pelas funções desempenhadas. 

A secretária acredita que dois são os motivos principais para este índice elevado de profissionais infectados: a dificuldade enfrentada em todo o mundo para adquirir equipamentos de proteção individual (EPIs) e deficiências no manuseio destes pelos próprios profissionais. Em entrevista ao POPULAR, entretanto, a secretária afirmou que não falta EPIs na rede municipal de saúde.

Fátima diz que é importante que se treine bastante os profissionais de saúde tanto na forma como colocar os EPIs, mas também durante seus usos e na hora de tira-los. Segundo ela, a hora de se “desparamentar” é de risco de infecção se não for bem feito pelo profissional. Durante a entrevista, ela frisou bastante a necessidade de se capacite os servidores no uso de EPIs. 

A titular da SMS de Goiânia destaca que a Covid-19 é uma doença que ainda pouco se conhece. “Não sabemos o tempo de permanência no ambiente”, exemplificou.

Casos comunitários

O novo boletim confirma a tendência de surgimento apenas de casos confirmados de transmissão comunitária, que é quando não se sabe a origem da infecção. O documento atualizou a análise de mais 11 perfis e todos são de pessoas que se enquadram nesta situação. O último caso importado registrado foi no dia 30 de março.

O documento divulgado diariamente pela SMS aponta pela primeira vez também a rede hospitalar onde os pacientes ficaram internados. Apenas 44 dos 149 casos analisados necessitaram de internação. Destes, 55% precisaram de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ou seja, 24 pessoas, e 14% usaram leitos de rede pública. 

A SMS divulgou no mesmo boletim que até o momento ao menos 64 pessoas infectadas em Goiânia já estão curadas, enquanto 8 morreram.

Atualizado às 9h02: o número de pacientes que necessitaram de internação foi corrigido, assim como a informação sobre o total de pessoas curadas.