Cerca de 11% dos resultados de testes divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO) nos últimos 12 dias deram positivo para o novo coronavírus (Covid-19). Foram 110 casos comprovados contra 870 descartados entre os dias 28 de março e 8 de abril. Ao todo, já são 159 pessoas que contraíram a doença no Estado, conforme o boletim divulgado na tarde desta quarta-feira (8) pela pasta.

Levantamento feito pelo POPULAR, entretanto, mostra que os números de resultados divulgados não batem com a capacidade de análise do Laboratório Estadual de Saúde Pública de Goiás (Lacen-GO), que recebe os testes enviados pelas unidades de saúde da rede estadual e municipais e tem sido alvo de críticas por parte das prefeituras pela demora no processo, que gira em torno de 5 dias em média.

Os boletins divulgados pela SES-GO apontam uma média de 80 resultados por dia, sendo que envolvem dados não apenas do Lacen-GO como também de laboratórios particulares quando os casos são notificados pelas unidades de saúde particulares ao poder público (existe uma subnotificação de casos suspeitos e testes descartados admitida pelo próprio governo). Oficialmente, a secretaria afirma que o Lacen-GO realiza 105 amostras por dia.

Em entrevista ao POPULAR transmitida nas redes sociais na tarde desta quarta, a superintendente de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim, reconhece que não são todos os casos analisados na rede particular que chegam ao conhecimento da pasta, mas que tem sido feito um trabalho para mudar esta situação com o apoio da Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) e com o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). “Temos feito um trabalho para que tenhamos realmente dados que sejam os mais próximos da realidade.”

Em nota, a secretaria afirma que o laboratório já recebeu 1.819 amostras para análise e que até o dia 17 de abril já concluiu o resultado de 76,6% delas. Além disso, houve 142 testes que não puderam ser realizados e foram descartados e ainda estão sendo avaliados mais 282. O número é menor do que o total de casos suspeitos que constam no boletim: 3.121.

A secretaria também afirma que a capacidade do Lacen foi aumentada nas últimas semanas de 63 análises por dia para 105 por dia, graças a ampliação do número de servidores e no turno de trabalho, agora até às 21 horas. Além disso, uma parceria com a Polícia Técnico Científica do Estado pode viabilizar até 250 liberações/dia.

Tanto Flúvia como a SES-GO afirmam também que houve mudanças no sistema de notificação que causaram as incongruências notadas no número de casos suspeitos. A superintendente fala que há nesta relação muitos casos que foram incluídos sem que tenha sido feita a coleta de amostra para teste.

Já a secretaria informa que uma transição no sistema do Ministério da Saúde causou uma confusão para os municípios na hora do cadastro de informações, com muitas fichas duplicadas que foram retiradas depois.

Coordenador da plataforma da Universidade Federal de Goiás (UFG) para monitorar o coronavírus, o professor Manuel Eduardo Ferreira diz que a equipe percebeu “muitas lacunas” nos boletins divulgados pela SES-GO, mas acredita que isso se deva a um processo de adaptação por qual passa a estrutura de monitoramento da doença pelo governo. Ele destaca que uma maior precisão e transparências das informações sobre o Covid-19 é fundamental para a população. “É a melhor arma para enfrentarmos esta crise.”

O porta-voz da comissão de especialistas criada pela UFG para discutir e analisar o novo coronavírus, o diretor-geral do Hospital das Clínicas, José Garcia, frisa que problemas nos números são comuns em casos de doenças que precisam ser rapidamente notificadas e que é importante que sejam o mais aproximados da realidade. Apesar disso, ele acha possível dizer que a curva de casos confrimados em Goiás segue a média nacional, diferente de locais que se destoam muito, como São Paulo, Amazonas e Distrito Federal.