A partir desta terça-feira (23) o setor de transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia deve voltar a operar com 100% dos veículos e em cumprimento à planilha normal dos dias úteis, depois de determinação do governo estadual e de liminar judicial deferida na última sexta-feira (20). Desde o dia 16, o sistema estava com redução na oferta do serviço como método de aderir às regras dos decretos assinados pelo governador Ronaldo Caiado (DEM) para tentar conter a disseminação do novo coronavírus (Covid-19). Ou seja, como as atividades escolares foram suspensas, por exemplo, o sistema rodou com as planilhas de férias entre os dias 16 e 18, já nos dias 19 e 20 foram usadas as planilhas de sábado, conforme o apurado com motoristas do setor.

Estas planilhas de sábado também foram utilizadas nesta segunda-feira (23), mas, segundo a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) isso não mais ocorrerá a partir desta terça-feira, com o retorno normal do serviço. No domingo, uma reunião das empresas concessionárias, a CMTC e o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado de Goiás (Sindittransporte) definiu a suspensão total do serviço a partir desta quarta-feira (25), mas isso foi refutado pelo governo e pelo prefeito Iris Rezende (MDB) na manhã desta segunda-feira, que exigiram a manutenção do serviço e o cumprimento da determinação judicial, dada em favor de ação da Defensoria Pública Estadual (DPE).

No entanto, as regras incluídas no decreto 9.639, do dia 20 deste mês, devem continuar, de modo que a capacidade dos veículos será de apenas a quantidade de usuários sentados. A orientação aos motoristas é que, ao chegar a esta capacidade, não ocorram mais paradas nos pontos de ônibus para o embarque. Isso já vem sendo seguido desde o dia 21, mas tem gerado controvérsias. Motoristas ouvidos pelo POPULAR relatam que, especialmente nos bairros mais afastados, eles são pressionados pelos usuários a parar, mesmo com todos os assentos ocupados.

Há também a situação que os motoristas entendem a indignação das pessoas nestes locais, já que se trata de linhas com frequência menor e, com o veículo não atendendo a demanda, o tempo de espera chega a dobrar, o que prejudicaria trabalhadores a chegarem na hora certo às empresas. “A maioria tem de bater ponto, a gente entende porque passa por isso também, e aí vai ficar lá mais de uma hora esperando. Eu prefiro deixar entrar”, disse um dos motoristas, sem ser identificado. Não tem sido realizada uma fiscalização específica sobre a situação, embora as empresas tenham orientado os motoristas sobre isso.

Terminais

A principal preocupação é nos terminais, em que o embarque de um menor número de pessoas em um mesmo veículo poderá gerar tumulto e aglomeração, pois a maior parte dos usuários ficariam esperando nova viagem. Segundo a CMTC, não foi verificado qualquer problema nesta segunda-feira. A companhia reitera que a partir desta terça-feira a operação será feita com a quantidade máxima planejada para o serviço e com orientação para manter ônibus extras nos terminais para caso seja necessária a implementação da frota em determinadas linhas. Além disso, há a orientação de que apenas trabalhadores ou consumidores de atividades essenciais, conforme descrição do decreto estadual, utilizem o transporte coletivo.

Uma portaria começou a ser feita nesta segunda-feira pela CMTC e a Agência Goiana de Regulação, Fiscalização e Controle dos Serviços Públicos (AGR), mas até o fechamento desta reportagem as partes ainda não haviam finalizado o documento. Nele, haverá as regras de como funcionará o transporte coletivo urbano e intermunicipal. Também constará outra medida com vias de tentar diminuir o fluxo dos terminais nos horários de pico, que é o escalonamento do embarque. No caso, haveria determinação sobre mudanças nos horários de abertura e fechamento das atividades essenciais, de modo que os trabalhadores e consumidores não precisassem se locomover ao mesmo tempo, especialmente no início da manhã.

Até então, não se sabe como será a fiscalização em relação ao embarque e a comprovação de que as viagens estão sendo realizadas para as atividades essenciais. Mas a tendência é de que se confie no bom senso da população, visto que, em comparação com a semana anterior os decretos estaduais de restrição de circulação, o movimento no transporte coletivo já reduziu em cerca de 65%. Por outro lado, a Polícia Militar (PM) e a Guarda Civil Municipal (GCM) devem auxiliar na orientação dos usuários idosos quanto a necessidade de só realizar as viagens essenciais, assim como verificar as filas e aglomerações nos terminais e a lotação dentro dos veículos.

Os motoristas, no entanto, ainda não haviam recebido orientações até às 18 horas desta segunda-feira e nem mesmo se eles receberão equipamentos para higiene pessoal como prevenção à Covid-19, segundo o presidente do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Goiânia e Região Metropolitana (Sindicoletivo), Sérgio Reis. Ele afirma também que não foi convocado para qualquer reunião neste final de semana com a CMTC e concessionárias, mesmo sendo da entidade representativa da categoria legalmente e que discute o acordo coletivo deste ano. “Não fomos chamados e a categoria não concorda com isso de paralisar o serviço, pois entende ser essencial. O transporte coletivo não pode parar neste momento”, afirma.