Há dois anos as principais lideranças da oposição em Goiás acreditavam que o governador Marconi Perillo (PSDB) estava morto politicamente por conta dos seus desgastes com a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Alguns pré-candidatos a governador na época acreditavam que o tucano não teria chance de ser reeleito novamente e até sugeriram que ele enfrentaria dificuldades de concluir seu atual mandato. A oposição ignorou uma característica marcante no perfil deste tucano: sua grande capacidade de superar dificuldades e sua obstinação por trabalho e sucesso. Marconi Perillo, aos 51 anos de idade, é eleito governador de Goiás pela quarta vez em 16 anos.

 

É fato que Marconi acusou o golpe político em 2012, quando também sofreu a perda da mãe. Se recolheu ao círculo de auxiliares e amigos mais próximos, se mostrou arredio à exposição pública, chegou a perder o brilho nos olhos em muitos momentos. Por um bom tempo comentava que não sabia se disputaria uma eleição novamente. Em junho de 2013 ocorreram as manifestações populares nas ruas e voltaram os protestos contra o governador tucano. Mas, desta vez, Marconi já demonstrava que tinha se livrado da apatia do ano anterior, estava disposto a enfrentar os problemas e montou um plano de recuperação da sua imagem, fortemente baseado em obras no Estado. O foco, a eleição de 2014. Sua vontade de sempre estava reestabelecida.

 

Neste momento a oposição em Goiás sabia que Marconi Perillo retornara ao jogo, embora ainda acreditasse que o tucano teria muitas dificuldades de se recuperar a tempo de disputar uma nova eleição. Tanto, que os principais líderes na oposição defendiam a união de suas forças, mas cada um acreditava que poderia derrotar o governador. Enquanto a oposição discutia quem teria melhores condições ou o perfil mais adequado para enfrentar o tucano, sem chegar a um consenso e indo para a disputa dividida mais uma vez, Marconi trabalhava. 

 

O governador conseguiu viabilizar mais de R$ 7 bilhões em empréstimos no governo federal, adversário politicamente, convém frisar, acelerou projetos e colocou as obras em execução. A rejeição do seu governo, que batia recorde no final de 2012, hoje está naquele patamar que habilita qualquer governante a ser reeleito. Claro, desde que seja obstinado para isto. Marconi é.

 

O inédito quarto mandato de governador será de desafios para Marconi Perillo. O cenário para a economia brasileira é preocupante. Isso terá impacto negativo nas receitas do Estado. O próximo governo não contará com a mesma folga para a captação de novos empréstimos. Aliás, começará a pagar os empréstimos federais tomadas por esta gestão. Há muitas demandas sociais e econômicas a serem atendidas, novas promessas de campanha foram feitas.

 

No final da eleição de 2010 escrevi um artigo em que defendia que Marconi Perillo não teria o direito de errar. O tucano cometeu erros, mas se recuperou a tempo. O seu desafio agora não é só evitar cometer erros, mas o de se inovar, como político e administrador.

 

Nova oposição?

Depois da quarta derrota consecutiva na disputa pelo governo estadual e após cometer praticamente os mesmos erros das eleições anteriores, caberá a oposição em Goiás refletir sobre seu futuro. Novas lideranças surgiram e elas terão a responsabilidade de, desde agora, construir um projeto viável e de longo prazo para 2018. Será preciso deixar vaidades em segundo plano e colocar como prioridade, de fato, a meta de ganhar o governo estadual. Só assim terá alguma chance de promover, um dia, a alternância no poder em Goiás.