Há algumas semanas andando em feiras da capital, encontrei vendedores de figo verde. Pois então vamos aprender um pouquinho mais sobre essa fruta maravilhosa. Os figos podem ser consumidos frescos ou secos, mas devem ser colhidos em diferentes estágios de maturação de acordo com sua destinação futura. Os figos verdes que vi por aí se destinam basicamente aos típicos doces em calda, tradicionalmente consumidos em Goiás.

Quando colhidos inchados, se destinam ao rami (doce de figo caramelizado, muito macio e suculento), já os bem maduros servem à produção de doces em pasta ou ao consumo in natura mesmo. Não se acha fácil figo maduro por aqui, pois em um curto período de tempo o fruto maduro torna-se azedo e é atacado por fungos.

O cultivo do figo foi introduzido no Brasil no século 16 pelos colonizadores portugueses. A variedade figo roxo foi introduzida no Brasil em 1900, por um imigrante italiano, na cidade de Valinhos (SP). Os italianos ali estabelecidos iniciaram a produção comercial de figo e a variedade ganhou o sobrenome da cidade. O figo Roxo de Valinhos é a única variedade comercial produzida no Brasil e uma das 20 principais frutas exportadas pelo País. Já o figo seco que conhecemos é importado, geralmente da Turquia.

Quanto à nutrição, em especial o figo roxo, na versão fresca, natural, possui boas doses de magnésio, potássio, cálcio e ferro, garantindo propriedades diuréticas. O figo fresco é fonte também de cobre, vitaminas B1, B5 e B6.

O figo é fonte de fibras alimentares solúveis e insolúveis. Tais fibras contribuem para o bom funcionamento do aparelho digestivo, diminuem o risco de câncer do cólon e ajudam a normalizar os níveis de colesterol e glicose no sangue.

O figo seco é fonte de magnésio para homens e mulheres e, também, de cálcio, potássio, vitaminas A e K e fonte de ferro para os homens, já que as mulheres necessitam de uma maior quantidade do mineral.

O figo contém algumas substâncias antioxidantes, como os carotenóides, que têm uma ação preventiva no desenvolvimento de certas doenças, como as cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Essas substâncias se encontram principalmente na casca e, de forma mais concentrada, no figo seco.

O potássio ajuda a regular a pressão arterial e facilita as contrações musculares. Depois de atividade física intensa, é útil para repor o mineral perdido. O beta caroteno, o manganês, o magnésio e o cobre também têm ação antioxidante e, entre outras ações, melhoram a atividade do sistema imunológico.

A versão desidratada da fruta é uma opção para quem deseja variar os sabores a cada dia, uma versão prática e saborosa, pois, quando desidratados, os figos ficam mais docinhos. Algumas vitaminas são mantidas, outras não. Mas as fibras e minerais continuam lá, estimulando o intestino e repondo nutrientes. Mas, atenção: a cada 100 gramas de figo seco, são 233 calorias, enquanto a mesma quantidade de figo fresco (in natura) contém apenas 69 kcal.

Além do típico doce em calda com creme de leite, existem várias formas para consumir ou servir o figo: quando fresco, pode ser descascado, picado e servido em meio a saladas frias. Fica muito bom com agrião ou rúcula, queijo fresco ou ricota, maçã, azeite e mel. Também pode seguir na linha das sobremesas, sendo grelhado e servido acompanhado de ricota batida com creme de leite, mel e raspas de limão – o figo seco pode ser cortado ao meio e recheado com nozes. São sobremesas ricas em nutrientes. Na gastronomia moderna, o figo fresco também é acrescentado a risotos.

Figo, quando verde, se conserva em temperatura ambiente em local onde não receba luz direta do sol. Maduro, pode ser conservado por até dois dias na geladeira. Já seco, pode ser guardado em recipiente bem fechado, dentro ou fora da geladeira.