A nova linha de financiamento habitacional com atualização do saldo devedor pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que será lançada hoje pela Caixa Econômica Federal, deve incrementar o número de empreendimentos lançados no mercado. Essa é a expectativa de representantes do setor imobiliário goiano por conta da redução do custo nesta nova modalidade de crédito de longo prazo, que deve fazer a prestação caber mais no bolso do consumidor.

Os bancos devem utilizar o índice de inflação como referência para o reajuste das parcelas do crédito da casa própria em operações do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) para imóveis com valor de até R$ 1,5 milhão. Essa nova modalidade poderá substituir a TR (Taxa Referencial) em novos contratos de financiamento. Atualmente, quem financia imóvel pelo SFH paga uma taxa de juros fixa, com limite de 12%, mais a TR. Como a TR hoje está zerada, a pessoa paga apenas o valor fixo.

Os dados recentes do Banco Central mostraram que a taxa média de juros cobrada em financiamentos imobiliários caiu para 7,7% ao ano. Já o IPCA está em apenas 3,22% nos últimos 12 meses. O copresidente da MRV Engenharia, Rafael Menin, já disse que o mercado nacional pode até dobrar de tamanho em dez anos por conta desta taxa reduzida, saindo do patamar de 600 mil imóveis por ano para um degrau de mais de um milhão de unidades por anuais.

Para o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Roberto Elias Fernandes, a medida vem para resolver a questão do financiamento imobiliário no País. Ele explica que os bancos poderão vender títulos corrigidos pelo IPCA para fundos, um dinheiro que voltará para ser emprestado novamente, já que ninguém tem interesse pela TR. “O IPCA é um índice real, que é assimilado pelo mercado”, destaca.

Recursos

O resultado imediato é que serão mais recursos disponíveis para o crédito imobiliário. Roberto Elias lembra que quando o comprador tem acesso a juros mais baixos, a demanda é automática e o mercado reage para atendê-la através de mais lançamentos e vendas. “Em Goiás, ainda temos uma vantagem extra de termos o metro quadrado mais barato do País”, ressalta.

Segundo ele, a medida vem reduzir a preocupação que o setor tem em relação à queda dos recursos da poupança e do FGTS, que terá cotas liberadas para saque pelo governo. Em 2018, as vendas do setor já registraram um crescimento de 25% no Estado e o presidente da Ademi-GO acredita que o balanço do primeiro semestre de 2019 deve mostrar números ainda maiores: de cerca de 50% de incremento sobre 2018. “Com essa nova linha, devermos ter um resultado ainda melhor, já que ela irá contemplar também imóveis de maior valor, ou seja, de até R$ 1 milhão”, prevê.

Com isso, não deve faltar crédito para o financiamento de novas moradias, resultando em mais lançamentos que vão gerar novos empregos e renda. “Isso trará um impacto na economia bem maior que a liberação do saque de R$ 500 do FGTS e será um grande fôlego para o mercado imobiliário. A crise ficou para trás”, avalia Fernandes.

Vale lembrar que é possível trocar o financiamento imobiliário de um banco pedindo a portabilidade para outro em busca de taxas de juros mais baixas.