Poeta e romancista. Esse era meu horizonte de aspirante a escritor. Não olhava outros gêneros com muita atenção. Queria me concentrar, com o intuito de fazer bem feito. Mas certo dia, ainda em 1991, Jorge Castilho, colega de trabalho, músico e aficionado às artes, chegou com um regulamento de um concurso nacional de literatura, patrocinado por uma federação de funcionários da Caixa, dentro do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Contemplava poesia, crônica e contos. O colega deu-me o regulamento e, por alguma intuição, sugeriu que eu concorresse na modalidade crônica. Sugeriu, não. Impôs. Para livrar-me de sua insistência, disse-lhe que participaria, mas não tomei nenhuma providência. Alguns dias depois, pediu-me para ver a crônica que já deveria ter escrito com o objetivo de concorrer. Disse-lhe que ainda não havia escrito, mas que escreveria. Perguntou-me sobre o assunto. Não havia pensado em nada. Para me livrar da saia justa, afirmei que compararia minha infância na roça com a de meus filhos, hoje, na capital.