A eleição de 2018 está sendo atípica. E não é só porque Lula está preso nem porque Bolsonaro levou uma facada ou pelo fato de o Brasil enfrentar a maior crise econômica, política e moral da nossa história.

É curioso o comportamento do eleitor na era das mídias digitais. Como era previsto por especialistas em redes sociais, o desgaste ideológico e partidário acabou atraindo o eleitor para uma armadilha “sutil”, a disseminação de notícias falsas, embora estas não sejam tão difíceis de identificar. O maior problema são aquelas notícias que distorcem informações reais, as meias verdades, fragmentos retirados de um contexto específico ou notícias maquiadas que não escolhem ideologias sejam de direita ou de esquerda.

Muitos eleitores brincaram com a democracia e com os recursos virtuais. Em vez de optarem em discutir e compartilhar as propostas dos candidatos à Presidência da República, por exemplo, preferem dar risadas com os memes dos candidatos e se ocupar com a podridão do adversário.

A preocupação não é conhecer a plataforma do candidato adversário, mas encontrar uma melhor maneira de argumentar, via redes sociais, em favor do seu candidato, contribuindo para sua vitória. E para isso vale tudo, inclusive as fake news.

O nosso eleitor, num momento tão crítico da nossa história, encarou a eleição como se fosse um jogo no Serra Dourada entre Goiás e Vila Nova ou Flamengo contra o Fluminense. O candidato da sua preferência é tratado como o time do coração. As suas propostas para a nação parecem não importar, ele só tem que ganhar a eleição para que o torcedor possa ir à forra contra o seu “inimigo” na próxima postagem no Facebook.

E nessa cegueira quase coletiva e ódio à flor da pele, chegamos ao segundo turno das eleições presidenciais. Os torcedores dos “times” que ficaram em primeiro e segundo lugar não deram a mínima chance de discutir outras possibilidades de candidaturas para o País. Tanto é que esses eleitores empurraram para o segundo turno duas figuras que têm as mais altas rejeições da nossa história.