A gestão pública no Brasil está amadurecida de modo a aceitar as transições de um mandato para outro com naturalidade, mas não livre de contágios de ordem eleitoral. Tal processo de transferência de poder através da informação visa a garantir a continuidade de serviços que são dever do Estado, e não de um governo específico. É por este ambiente de civilidade democrática que causa estranhamento a solução de continuidade encontrada na Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg), conforme relatado em reportagem na edição de ontem.

Sem diretoria e parte do quadro de funcionários desde a troca de comando, o órgão paralisou a ponto de impedir, do ponto de vista prático, a abertura de novas empresas no Estado. Num cenário de retomada econômica após uma crise aguda, a interrupção do serviço se mostra ainda mais grave. No final da noite de quarta-feira, por meio de nota, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico disse que um corpo técnico “está sendo nomeado imediatamente para garantir a funcionalidade da Juceg até a adequação do órgão”.

Roga-se, pois, que outros serviços não sofram idêntica solução de continuidade, pelo bem dos cidadãos.