Editorial

Infância desassistida

A sucessão de acontecimentos trágicos envolvendo a infância marcou o ano que se encaminha para o fim. Diante deste contexto em Goiânia, reportagem nesta edição adquire um ar de perplexidade. Todos os seis conselhos tutelares da capital padecem da falta de manutenção, estrutura e profissionais capacitados para o atendimento de crianças e adolescentes. O desamparo chegou a tal ponto que os conselheiros tutelares, todos mandatários de cargos eletivos, como preconiza a legislação nacional, foram cobrar melhorias junto à Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) e o Ministério Público do Estado de Goiás.

Houve até casos de unidades, como a do Jardim Diamantina, que precisou recorrer a um “gato” na rede de energia elétrica num esforço pela manutenção dos serviços. Tudo por falta de pagamento à concessionária do serviço.

Quando a estrutura de acolhimentos de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade se mostra um problema adicional, em vez de um sopro de esperança, algo precisa ser revisto. Se por um lado são nítidas as dificuldades financeiras do poder público, por outro é aviltante que isto se reflita justo na vida de quem mais precisa.

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