Bastava uma toalha vermelha – que fazia as vezes de capa nas costas do menino Jorge Braga – para ele ter certeza que era o Super-Homem. Sua Metrópolis era a pequena Patos de Minas, cidade do interior de Minas Gerais onde nasceu em 4 de fevereiro de 1957, e sua kriptonita sempre foi a educação rígida dada pelos pais, o caminhoneiro Valdetino Machado Braga e a dona de casa Geralda Martins Braga. Terceiro de quatro filhos, Jorge desde muito cedo mostrou que daria trabalho ao casal.

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Ao completar, em 2013, 40 anos da atividade profissional que começou em Goiânia e é comemorada com este caderno especial, parte das celebrações dos 80 anos da capital e dos 75 anos do POPULAR, Jorge Braga ri com sua gargalhada inconfundível das muitas confusões que aprontou (e continua aprontando). “Sou um menino levado que não cresceu”, define-se, aos 56 anos. 
 
Dos 80 anos que a capital completa, Jorge foi personagem, testemunha e teve a oportunidade de retratar metade deles em suas charges, a maior parte publicada nas páginas do POPULAR, que misturam sensibilidade crítica com bom humor. 
 
Romãozinho, o alter-ego de sua infância peralta; Perebão, o super-herói brasileiro que vê seu trabalho ir por água abaixo quando os advogados e seus habeas-corpus soltam os bandidos que ele prende; e Super Badião, o vendedor de pequi da Praça do Bandeirante que precisa de uma pinguinha com murici para fazer aflorar seus superpoderes, são alguns dos muitos personagens criados por Jorge e que hoje fazem parte do imaginário goiano. “A charge é uma questão de sensibilidade”, explica.
 
Inspiração
A sensibilidade que norteia os traços inconfundíveis do artista começaram muito cedo na vida de Jorge Braga. Antes mesmo de aprender a ler e a escrever, ele já desenhava. A inspiração vinha das revistas em quadrinhos que o pai trazia de suas muitas viagens como caminhoneiro pelas estradas do País.
 
Tio Patinhas, Pato Donald e Tarzan povoaram a infância do menino que precisou de muito pouco – uma gilete, um pedaço de borracha de lona e muita garra – para criar uma técnica própria de fazer desenhos que primeiro conquistaram os colegas do Grupo Escolar Santa Terezinha e depois os leitores do jornal mineiro
A Bênção.
 
“Quando era menino, eu fazia uma revistinha no colégio que estudava, pois gostava muito de história em quadrinhos, mimeografava e vendia para os colegas. Ganhava o dinheiro para comprar mais gibis”, rememora. Com a criatividade em ebulição, ele também se arriscava no picadeiro. 
 
Seu primeiro personagem foi o Palhaço Gagá. Em uma lona improvisada e com a ajuda dos amigos, encenava o espetáculo que tinha como objetivo, além da diversão, conseguir dinheiro para sua grande obsessão: revistas em quadrinhos. 
 
Não foi por acaso que, ao chegar em Goiânia em 1973 – ele veio para estudar a convite do tio José Machado Braga –, logo começou a fazer tanto sucesso. O suplemento de humor Café de Esquina, do jornal Cinco de Março, foi sua primeira parada. Anatole Ramos, Phaulo Gonçalves, Froes e Stepan Nercessian eram algumas das figuras que ele de cara conquistou com seu novo jeito de fazer humor. 
 
Inquieto, começou a se interessar por todas as atividades culturais emergentes. Trabalhou com Otavinho Arantes, João Bennio, fez história no Show do Esqueleto e percorreu meio mundo de Goiás fazendo shows de humor em uma caravana de artistas que incluía o ainda pouco conhecido cantor Amado Batista.