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Quiropraxia conquista pacientes como alternativa para dores nas costas e articulações

Técnica desenvolvida nos EUA há pouco mais de um século que alivia dor e conquista paciente exige cautela

Claudio Reis

A professora aposentada Geralda da Costa Pereira, de 68 anos, já nem lembrava como era a vida sem dor. Sessões intermináveis de fisioterapia, natação, hidroginástica e uma tonelada de analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares não foram capazes de curar sua dor na coluna. “Desde minha primeira gravidez, há 36 anos, sofro com dores. Já teve dia de acordar e não conseguir levantar ou colocar o pé no chão”, conta. O alívio para a tensão, Geralda encontrou em sessões de quiropraxia.

Diferentemente de outros tipos de massagem, a quiropraxia, técnica manual desenvolvida nos EUA há pouco mais de um século, não é aplicada nos músculos, e sim nas articulações. “É uma técnica de ajustes manuais, onde fazemos o reposicionamento das articulações do corpo de maneira geral, com foco na coluna”, explica o fisioterapeuta quiropraxista Wanderson Rodrigues Cardoso Júnior. Para isso, é feita uma série de movimentos precisos, chamados ajustes.

Nas sessões, o quiropraxista gira o pescoço do paciente para um lado e para outro, pressiona e “estala” a coluna. A cena pode até assustar, mas dona Geralda, está na terceira sessão, comemora os resultados positivos da técnica. “Nem sabia que a quiropraxia existia. Foi um sobrinho que me indicou o tratamento e já na primeira sessão senti um alívio enorme.” Ela conta que muitas vezes os ajustes feitos pelo profissional produzem “estalos”, mas que não chegam a doer. O objetivo, segundo os especialistas, é sempre reposicionar as articulações e aliviar a pressão que elas exercem nos grupos musculares.

A consulta inicial com um quiropraxista dura cerca de uma hora. É quando o profissional faz um diagnóstico completo da situação do paciente, inclusive com o uso de exames de imagem. “A técnica é totalmente segura. Fazemos uma avaliação específica e uma triagem rigorosa”, garante o quiropraxista Wanderson Rodrigues, que tem experiência em terapias manuais e medicina tradicional chinesa. O tratamento não é indicado para pessoas com câncer e, em casos de osteoporose, nem todos os movimentos podem ser realizados.

O quiropraxista Paulo Henrique Rodrigues explica que a quantidade de sessões necessárias é estipulada na consulta de avaliação, mas que normalmente não são muitas. O tratamento pode ser tanto sintomático (é comum pessoas com crises crônicas chegarem ao consultório) quanto preventivo, para evitar novas crises. “Houve um aumento da procura nos últimos anos por causa da divulgação na internet e do boca a boca. O reconhecimento do SUS também foi importante”. Neste ano, o Ministério da Saúde incluiu a quiropraxia na lista de práticas terapêuticas alternativas e complementares disponíveis no SUS.

Os especialistas afirmam que qualquer pessoa, de qualquer faixa etária, pode se tratar com a quiropraxia. O que muda é a técnica que será determinada pelo quiropraxista para cada paciente. Além das dores nas costas e nas articulações, muitas pessoas que sofrem com enxaqueca também encontram alívio na técnica. A explicação é que a quiropraxia conseguiria “realinhar” a coluna cervical, na região do pescoço, com alívio imediato em dores na região dos ombros e cabeça.

Claudio Reis
Quiropraxista Paulo Henrique Rodrigues, com réplica de uma coluna: quantidade de sessões é determinada partindo-se do perfil do paciente
Cristiano Borges
Quiropraxista Paulo Henrique Rodrigues, com réplica de uma coluna: quantidade de sessões é determinada partindo-se do perfil do paciente
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