Se fosse para escolher a trilha sonora do Goiânia Noise 2018 seria o clássico Casa, de Lulu Santos (1986), só que tocado numa versão feita pela banda stoner rock goiana Mechanics que bateu ponto em todas as edições do evento. Um dos festivais de rock mais importantes da cena independente da cidade está de volta ao Centro Cultural Martim Cererê. A programação começa hoje, com shows intercalados nos dois teatros do espaço, a partir das 18 horas, e segue até domingo, com quase 50 bandas na grade.

O Martim Cererê já abrigou dez edições do Goiânia Noise e a última vez que o espaço foi a casa do festival foi em 2015. Nas duas passadas a esplanada do Centro Cultural Oscar Niemeyer – hoje proibida de receber estrutura de shows após decreto do governo no final de 2017 - e o Jaó Music Hall receberam o evento, respectivamente. “Lá é o templo do rock goiano”, comenta Leonardo Razuk, um dos organizadores. Apesar da identificação, o retorno também foi por uma questão de custos.

“Essa edição foi complicada de fazer, praticamente zero de dinheiro. Está sendo na raça mesmo e acreditando no retorno do público que gosta de rock e que diminuiu nos últimos anos. Tanto que muitas casas fecharam ou mudaram o estilo. Engraçado porque o evento tem 24 anos, é respeitado, conhecido e de grande valor cultural e até mesmo turístico para uma cidade que oferece poucas opções de lazer e cultura, mas sem apoio. A gente é insistente”, afirma Razuk.

O grande medalhão da programação do Noise é sem dúvida a lendária banda inglesa Toy Dolls, que fecha o segundo dia de festival. Formado em 1979, em Sunderland, na Inglaterra, o grupo é liderado pelo vocalista e guitarrista Michael Algar, mais conhecido como Olga. Ele compõe todas as músicas e é um dos melhores guitarristas do punk rock mundial e ícone do gênero. No repertório, clássicos como Nellie The Elephant, I’ve Got Asthma, Tommy Kowey’s Car, Lambrusco Kid e When the Saints.

As pratas da casa também têm vez no festival. É o caso do Violins, um dos grupos mais festejados do indie rock nacional, que volta ao Goiânia Noise com uma nova formação e lançando um disco novo, A Era do Vacilo, após seis anos sem gravar. A banda, composta por Beto Cupertino (voz e guitarra), Fred Valle (bateria), Gustavo Vazquez (baixo) e Pedro Saddi (teclado), encerra o primeiro dia de shows. Outro nome de peso é o Aurora Rules, um dos mais vibrantes da cena underground e escalado para fechar o evento no domingo. Formada em 2008, a banda ganhou destaque pelo som que passeia pelo metal e hardcore. Destaque também para Mechanics, Sheena Ye, The Galo Power, Ressonância Mórfica, Mugo, Branda e Diego Mascate.