Juntar a fome com a vontade de comer, na linguagem popular, significa unir dois interesses e aproveitar oportunidades que se apresentam ao mesmo tempo. Em um primeiro olhar, parece fácil perceber que os conceitos são bem diferentes. Na prática, a maior parte das pessoas se confunde e não consegue ver que fome e vontade de comer não caminham necessariamente juntas. Saber diferenciar uma da outra pode ser o segredo do sucesso para o emagrecimento.

A psicóloga Elaine Lopes, especialista em transtornos alimentares e emagrecimento, explica que enquanto a fome se caracteriza por demandas fisiológicas do organismo, a vontade de comer está relacionada ao desejo, é emocional. “Ao se deparar com um prato de comida na hora do almoço, a reação do organismo será se alimentar devido à necessidade, à fome. No entanto, se logo após a sua refeição, você se deparar com um bolo de chocolate com cobertura cremosa, perceberá que não sente mais fome, e sim uma grande vontade de comer aquilo”, exemplifica.

Entender quando estava realmente com fome e superar a vontade de comer bobagens foi uma das estratégias adotadas pela operadora de processamento Tatiele Cristina de Jesus Nogueira, de 28 anos, que perdeu dez quilos em sete meses. Após a segunda gravidez, ela ganhou 20 quilos e procurou um endocrinologista. “Passei a prestar mais atenção aos alimentos, dando preferência aos que dão maior saciedade”, conta a moça, que come de três em três horas para evitar chegar na refeição seguinte com fome demais.

Ao sentir vontade de comer algo muito calórico, Tatiele diz se lembrar do esforço que fez para perder peso. “Logo a vontade passa. Tudo é uma questão de hábito”, garante. A psicóloga Elaine Lopes explica que muitos acreditam sentir fome quando, na verdade, estão em situação de ansiedade. “As pessoas que veem no alimento alívio para a ansiedade geralmente estabeleceram um vínculo afetivo com a comida, o que proporciona essa pseudo sensação de leveza após comer em uma crise. A ansiedade dispara a fome emocional – aquele desejo incontrolável de algo que também denominamos, erroneamente, de fome. Esse desejo vem acompanhado do objetivo de preencher vazios ou saciar emoções mal resolvidas.”

A fome física acontece em ondas, como se fosse um sinal do corpo sugerindo a reposição de nutrientes e energia. “Ela pode ser adiada na impossibilidade de nos alimentarmos naquele determinado momento. Pode ser satisfeita com qualquer tipo e quantidade de alimento. Na fome física, uma vez que a necessidade está saciada, não demanda de mais quantidade do que o organismo realmente precisa para se manter. Ela não causa sentimentos de culpa ou arrependimento”, explica a psicóloga.