Comer carne faz bem ou mal? Existe alguma forma de consumir um dos destaque da mesa dos goianos sem colocar a saúde em risco? Questões objetivas como essas dividem a opinião dos especialistas (isso sem contar o aspecto ético). Fato é que o consumo está na berlinda e iniciativas como o Meat Free Monday, algo como Segunda Sem Carne, tem ganhado adeptos em todo mundo. A ideia defendida pela campanha internacional criada em 2003 é promover iniciativas em prol da saúde. Um dia da semana sem consumir carne seria uma delas.

“Não há necessidade de parar de comer carne vermelha, mas é preciso reavaliar a forma de consumo e a frequência em que ela é incluída no cardápio”, afirma a nutricionista Mariana Alves. Estudos revelam que a ingestão exagerada de carnes, de sódio e de conservantes dos processados e embutidos elevam a pressão arterial e aumentam o risco de doenças cardiovasculares e de câncer. “Há pesquisas que também apontam que o consumo de carne vermelha e uma alimentação deficiente em frutas e vegetais pode acelerar o envelhecimento biológico do corpo”, revela a fisioterapeuta dermatofuncional Camilla Bacchim.

Em um processo gradual a publicitária Flávia Moiana, de 38 anos, foi retirando a carne de seu cardápio após uma temporada morando na Tailândia. “O interessante é que o fato de ter me tornado vegetariana me levou a hábitos alimentares saudáveis como aumento de ingestão de vegetais e frutas e a retirada de processados e refrigerante”, conta. Apesar de uma deficiência inicial nas taxas de ferro - já resolvida - Flávia afirma que se sente mais saudável sem consumir carne. “Costumava ter muitas inflamações na pele e isso diminuiu muito”, exemplifica.

Estudos recentes mostram que o consumo diário de carne aumenta as chances de doenças cardiovasculares e risco de morte, mas a ingestão está relacionada aos cortes cheios de gordura ou carne processada, como a salsicha. O nutricionista Leandro Araújo lembra que o excesso de consumo de proteínas pode levar a sobrecarga das funções hepática e renal. “Além disso, a carne tem gordura saturada. Em excesso, a gordura pode elevar o nível de colesterol, aumentando o risco de doenças cardiovasculares. Alguns estudos relacionam o excesso da ingestão da carne com câncer”, alerta. Por isso, prefira sempre os cortes mais magros, como patinho ou lagarto. Por outro lado, ele reforça que as carnes são excelentes fontes de proteína de alto valor biológico, minerais como ferro, que previne a anemia, e zinco, importante para o crescimento, cicatrização e função imunológica, além de ácidos graxos essenciais e de vitaminas do complexo B.

Para quem busca reduzir o consumo de carnes no dia a dia, já existe até um termo: o flexitarianismo, que é um tipo de “vegetarianismo flexível” com a redução no consumo de animais na dieta. “Quem adere exclui a carne vermelha e mantém carnes brancas como o frango ou o peixe no cardápio, em uma frequência menor que a usual. Acho atraente aderir a uma prática que proporcione os benefícios pessoais e ambientais de consumir menos carnes e, ao mesmo tempo, não seja tão radical quanto o vegetarianismo ou veganismo. Isso pode funcionar tanto como estilo de vida como fase de transição”, explica a nutricionista Victória Ramos.

Para o nutricionista Leandro Araújo, flexitarianismo é uma boa opção para quem gostaria de diminuir as quantidades de proteína animal na dieta, entretanto é importante sempre ingerir as quantidades corretas de proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais. “Desta maneira é fundamental consultar um nutricionista antes de tomar a decisão para melhor adequar a dieta. O mais importante são as pessoas terem hábitos de vida saudáveis”, explica.