O desejo de estar permanentemente conectado com o que os outros estão fazendo já ganhou até nome próprio: FoMO (fear of missing out, ou medo de estar perdendo algo que a pessoa nem sabe o que é). Basta esquecer o celular em casa para bater o pânico em muita gente. Na prática, a síndrome, descrita pela primeira vez em 2000, é um dos principais sintomas de que alguém está viciado em redes sociais e pode causar desde angústia e mau humor até depressão. Mas quando uma pessoa pode ser considerada realmente viciada em tecnologia? Para o psicólogo e psicoterapeuta Ettore Riter, usar bastante a internet e jogos on-line, assistir a muitos vídeos e ser ativo nas redes sociais não é sinônimo de dependência patológica de internet e tecnologia. “O problema é quando isso prejudica as atividades da vida cotidiana, implicando consequências negativas psicológicas, físicas e sociais. A patologia se define pela frequência e intensidade prejudicial, ou seja, fora de uma faixa reconhecida como normal ou saudável”, explica.O profissional ressalta que, desde o início da humanidade, o homem altera sua realidade com a criação de tecnologias e ferramentas e, ao mesmo tempo, é modificado por essas criações. Na prática, as tecnologias digitais modificaram o modo de ser humano. “Não se pode ficar sem ela, mas deve-se ter cuidado para não nos tornarmos reféns.” O uso excessivo dos dispositivos móveis pode provocar problemas como insônia, ansiedade, tristeza e alterações de humor sem explicação aparente, além de prejuízos na atenção e na concentração. “Algumas pesquisas indicam que uso excessivo de redes sociais pode causar ou potencializar transtornos de ansiedade e depressão, por exemplo”, explica Ettore. Como em qualquer vício – e esse tem nome próprio, a Nomofobia, medo de ficar sem o celular –, reconhecer o problema é o primeiro passo. De modo geral, o tratamento do transtorno de dependência em internet e tecnologia requer psicoterapia e medicação, assim como outras dependências. A medicação é importante porque se reconhece que a ansiedade e a depressão são condições subjacentes possivelmente presente nessa modalidade de dependência, assim como é em outras.A atividade física, segundo o especialista, é uma ótima aliada para melhoria dos níveis de serotonina e diminuição do tempo de uso da tecnologia. “A interrupção total do uso da internet não é possível e, frequentemente, não é eficaz. Por isso, pode ser importante desenvolver hábitos corretivos. Isso envolve tanto mudanças de comportamentos quanto adoção de softwares e apps que bloqueiam o acesso à internet ou a páginas específicas e podem ajudar a controlar e a criar um novo modo de se relacionar com a tecnologia”.