Organizadora do livro Mulheres, Política e Poder (Cânone Editorial), a cientista política Denise Paiva ressalta que, com mérito e coragem, as mulheres estão ocupando postos estratégicos na sociedade, o que é motivo para celebrar. Ela apenas lamenta a sub-representatividade das mulheres na política, que ainda é, na opinião da pesquisadora, uma das últimas fronteiras a ser conquistada. “Neste 8 de março há muito para se comemorar, porém há também muitos desafios a serem vencidos como a violência contra a mulher”, lembra.
 
As mulheres goianas nunca puderam ir além dos limites impostos pelos homens até o início do século passado. Quando ousavam ultrapassar essas sedimentadas fronteiras, eram perseguidas. Mesmo assim, a participação das mulheres na construção do Estado sempre foi ativa, apesar da ausência delas na história oficial. “A história é feita no espaço público e no espaço privado e as relações sociais existentes, tanto em um como em outro, é que garantem a configuração do momento histórico”, explica a historiadora Lúcia Rincon, membro do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e da União Brasileira de Mulheres.
 
Para ela, a ausência das mulheres da construção histórica se deve à invisibilidade a que foram submetidas, bem como à quase exclusividade do registro dos fatos no espaço público e na política. “A história foi contada apenas pela voz e pela caneta dos homens”, destaca. Apesar da presença feminina desde o início da colonização do Brasil e da sua participação fundamental na pesada tarefa de lutar contra as condições precárias da colônia, elas não foram vistas pela historiografia. Alguns pesquisadores defendem que é preciso levantar a cortina do passado e redescobrir o Estado, estudando a história das goianas.
 
HISTÓRIA FEMININA
 
Em Goiás, como no resto do País, as mulheres eram, em sua quase totalidade, analfabetas e subordinadas social e juridicamente aos pais e maridos. Não podiam ocupar cargos eclesiásticos ou administrativos. Coordenadora da Rede Goiana de Pesquisa e Estudo de Gênero, a pesquisadora Maria José Pereira Rocha, da PUC-GO, estudou os motivos da invisibilidade feminina na construção histórica do Estado. O grupo foi criado em 2007 para articular projetos de pesquisa que contemplem a perspectiva de gêneros e feminismo em Goiás.
 
Durante seus estudos, ela descobriu personagens e grupos que, mesmo de forma independente ou isolada em alguns casos, contribuíram para denunciar a situação de opressão e submissão da mulher e lutar por seus direitos. “A história sempre foi contada ou escrita por homens e, quando ela é escrita por mulheres, quase sempre tem como base o modelo masculino, que é o que predomina na sociedade e cultura. É evidente que necessitamos ouvir, contar e escrever a história do ponto de vista das mulheres”, defende.
 
A mudança começa pelas mãos e cabeças das mulheres e dos próprios homens. Apesar de eles terem monopolizado as atenções – com raríssimas exceções – até a virada do milênio, os especialistas concordam que, ao longo das próximas décadas, a tendência é que a participação feminina na sociedade se intensifique. Os 75 nomes publicados nas próximas páginas são provas dessa mudança. São mulheres que, com muito trabalho e dedicação, escrevem seus nomes nas páginas da história do Estado.