Uma das histórias ocorridas em Goiás que mais renderam enredos na ficção nacional, o caso Vilma Martins está de volta, mas não mais com foco no sequestro de Pedrinho. O interesse da vez recai sobre o sequestro de Roberta Jamilly, roubada da Maternidade de Maio, em Goiânia no ano de 1979, sete anos antes do enredo que inicialmente chamou a atenção do País.

A narrativa é a base do curta-metragem Quarto 10, que tem première hoje, às 20 horas, no Lumière Bougainville. Dirigido pelos goianos Isabela Eva e Sidnei Rogério, o curta tem como protagonista o ator goiano Stepan Nercessian, que interpreta o delegado Antônio Gonçalves. A primeira exibição do filme, aberta ao público, terá a presença de Nercessian e do ator Igor Cotrim, também no elenco.

Responsável por coordenar os trabalhos da polícia na época da investigação do caso Pedrinho, Gonçalves se tornou peça chave na elucidação do caso do bebê roubado da família em um hospital de Brasília. Pouco depois da revelação do caso Pedrinho, as investigações levariam ainda à descoberta do roubo de Roberta, batizada originalmente como Aparecida Fernanda, em Goiânia.

Morto em um acidente de helicóptero em 2012 que vitimou vários policiais civis que investigavam uma chacina no interior de Goiás, a odisseia do delegado ganha destaque em Quarto 10. “Não cheguei a conhecê-lo pessoalmente. Mas ouvi bastante sobre ele e também li. Todos dizem que era uma pessoal incrível”, ressaltou Stepan Nercessian, em entrevista ao POPULAR.

Ele, que também investiu na pesquisa sobre a história que “virou uma novela que o Brasil inteiro acompanhou”, participou de três dias de trabalho de filmagens. O trabalho foi feito no complexo de delegacias especializadas de Goiânia e Stepan ficou impressionado com o legado deixado por Gonçalves. “Pessoas que trabalharam com ele vieram me abraçar, se emocionaram. Todos falavam: ‘nossa, como você está parecido com ele’”, relembra o ator.

Estímulo

O convite a Stepan para a participação no curta-metragem partiu de uma das diretoras, Isabela Eva, que também está produzindo um livro sobre o delegado. “As pessoas estiveram muito entregues ao filme, com muito entusiasmo e também tive a alegria de participar desse momento”, diz o ator, que exatamente hoje também verá o filme pela primeira. A ideia é, no futuro, fazer com que a história seja filmada em longa-metragem, com Stepan também no papel principal.

A ideia do trabalho foi aceito prontamente pelo ator, nascido em Cristalina, cidade a pouco mais de 90 quilômetros de Goiânia, com cerca de 55 mil habitantes. “O que eu puder fazer para incentivar o cinema em Goiás, faço”, afirma. Para ele, o Estado precisa fomentar sua trajetória cinematográfica, iniciada há 50 anos com o pioneirismo de João Bennio.

“O Estado tem um veio artístico muito grande e pioneiro, começado lá com Bennio, que fez um cinema de qualidade e de respeito nacional”, salienta. O ator acredita que o potencial goiano ainda é pouco explorado. “Volta e meia surgem coisas, mas esse movimento não assumiu o potencial. Goiás é um puta de um cenário, maravilhoso, com locais e histórias incríveis”, elogia.