Não existe um número oficial, mas entre os adeptos do swing – a troca de casais – é nítida a impressão de que casas e clubes do gênero estão prosperando em Goiânia. Funcionando em residências em ruas discretas, chácaras ou em boates, as casas de swing, além da pista de dança, oferecem cabines, cantos e labirintos escuros onde o sexo e a troca de casais rolam soltos. Práticas como o ménage à trois e o voyeurismo atraem os visitantes.Swing não é nenhuma novidade sexual da era moderna. Roma já era campeã na antiguidade e a prática para eles era considerada normal. A troca de casais, no entanto, tem sido redescoberta. “Já fui em praticamente todas as casas de encontros em Goiânia e de Aparecida de Goiânia. Tem as formais que são como boates registradas e festas particulares, só para convidados. Lá rola shows com mulheres famosas e casais que fazem sexo ao vivo em um palco. Dá todo tipo de gente. Pessoas que a sociedade nem imagina que frequentaria uma clube de swing”, explica Samuel (nome fictício), de 35 anos, há nove frequentador de casas de swing.Frequentar uma casa de swing, garante ele, não é nada diferente de ir a uma festa, pois todos estão lá com a mesma intenção: se divertir. “A decisão de praticar ou não sexo com outros casais deve ser bem entendida entre o par, bem como ambos estarem conscientes de suas ações e opções. É importante possuir um sólido relacionamento, pois não é a prática de uma fantasia que levará à recuperação de uma relação desgastada ou já corrompida”, explica o texto com as regras de uma das casas de Goiânia.O material traz uma espécie de “guia” com itens de como vestir, agir e se comportar no local. Entre os conselhos, estão: “combine sempre com seu parceiro o que pode ou não rolar”, “evite atrapalhar o lance dos outros com conversas longas e sem sentido” e “se você é exibicionista e gosta de roupas provocantes, a casa permite e incentiva tal atitude”. Mas o que acontece, por exemplo, se o frequentador encontrar algum conhecido no local? “Se vocês estão no mesmo lugar, provavelmente a intenção ou a curiosidade seja a mesma”, ensina o manual.PseudônimosGrande parte dos casais usa pseudônimos para se identificar e manter a discrição. O clube promove festas como “Quarta Liberal” e “Sexta Bi Feminino”, além de shows de strippers como Fernanda Lins, a Rainha do Pole Dance, e Bruno Camargo, o Bombeiro do Programa da Eliana. “Goiânia é referência na prática do swing e vem gente de fora conhecer as casas. Já me relacionei com casais de Brasília e Minas Gerais que vieram atraídos pela fama de nossas casas de swing”, conta Samuel.Entre os adeptos do swing, a prostituição é malvista e na maioria das casas é proibida a entrada de garotos e garotas de programa. A ideia é que casais realmente se entreguem aos prazeres do sexo livre com outros casais.Há outras formas de fazer swing sem ser através das casas, como, por exemplo, pela internet, cadastrando-se em sites especializados em trocas. Nas casas, o clima é, conforme anunciam, de respeito e liberdade. Se a ideia for apenas assistir aos outros transando, tudo bem. Se for participar de sexo grupal, também. “Os valores mudaram muito. Casais que viviam na rotina e mesmice do casamento se reencontram no swing. Eles descobrem novos limites para o sexo que são impostos apenas pelo próprio casal e não pela sociedade”, explica Samuel.