Administrar um Estado, com toda a sua complexidade, demanda, antes de tudo, ter a compreensão e zelo pela coisa pública, exige preparo, assertividade, eficiência, técnicas de gestão e profundo conhecimento do funcionamento dos processos de administração.

No intuito de que as estratégias governamentais e as diretrizes de políticas públicas se transformem em serviço público ao cidadão, é necessária uma mediação técnica responsável por minimizar os ruídos políticos entre um extremo e outro da máquina pública. Depende de uma competente atuação profissional nos diversos órgãos e entidades da Administração,   atividade realizada por uma carreira de Estado denominada Gestores Governamentais.

O Gestor Governamental é o servidor responsável pelo contínuo aprimoramento da Administração Pública no Poder Executivo Estadual. Sua função precípua é a formulação, gestão e avaliação do impacto de políticas públicas, gerando economia e efetividade na entrega do serviço público.

Ele contribui com a formulação estratégica de governo, na concepção e implementação de ações que viabilizem o alcance dos objetivos definidos na agenda governamental, profissionalizando o serviço público e asseverando, com isso, o comprometimento dos agentes públicos com a qualidade dessa oferta.

Economia ao cofre público

“Na prática, ele é o servidor que preza pela qualidade do gasto público”, explica o presidente do SindGESTOR, Eduardo Aires. Somente nos dois primeiros quadrimestres desse ano, a carreira foi responsável por alcançar uma economia de R$ 178,64 milhões aos cofres públicos, decorrentes de ações como fiscalização e auditoria; implantação de sistemas e adoção de tecnologias; análise de procedimentos licitatórios e gestão de processos e projetos.

Inovação é carro-chefe da carreira

Doutor em Administração Pública e Governo pela FGV-SP e renomado palestrante da área, Fernando Coelho defende que na administração pública contemporânea as evoluções podem ocorrer por meio de inovações e coloca as carreiras de gestão governamental como principais agentes das mudanças: “As inovações são mais factíveis do que as reformas políticas, pois podem ser propostas pelos Gestores Governamentais - carreira que compõe o corpo burocrático tático, apta a propor aperfeiçoamentos pontuais em práticas de gestão, que devem ser prototipados e replicados, promovendo avanço na cultura organizacional. Isto explica tamanha importância da carreira de Gestores Governamentais. Eles são a base da mudança no setor público e fazem isso por meio de práticas inovadoras”, diz.

Profissionalização da Gestão

Ao longo dos 16 anos de existência em Goiás, os Gestores Governamentais consolidaram-se como uma carreira de referência em qualificação e excelência, ocupando posições estratégicas e de destaque em diversas áreas do governo e até em outras esferas públicas e de poder.

Como prova disso, os Gestores Governamentais correspondem a carreira com maior representatividade/aprovação nos últimos processos meritocráticos para seleção de gerentes (140 selecionados) no executivo estadual, aberto para comissionados e servidores efetivos. Da mesma forma, para o processo seletivo dos Executivos Públicos para atuarem na Central de Resultados, unidade responsável pela Gestão da Agenda Estratégica de Governo e acompanhamento de indicadores de atuação governamental, os Gestores Governamentais foram aprovados para 90% das vagas disponíveis. Quanto aos cargos em nível de Superintendência Estadual, hoje, 26 pertencem ao quadro dos Gestores Governamentais, e 4 são Secretários Municipais.

“Gestão pública governamental é coisa para profissionais. Somente com uma gestão eficiente, pautada em resultados, lisura e transparência, pode-se construir a transformação que almejamos para nosso Estado e País”, defende a vice-presidente do SindGESTOR, Janine Zaiden.

Na história

A carreira teve origem no serviço público federal, em 1989, com o processo de redemocratização do país. Surgiu a partir da intenção de se constituir um corpo de executivos públicos profissionais com atribuições voltadas para o exercício de atividades de direção e assessoramento nos escalões superiores da Administração Pública Federal.

Como toda boa ideia implementada no âmbito federal tem seus desdobramentos nos Estados, em 2002 nasceu a carreira dos Gestores Governamentais de Goiás, inspirada no modelo federal, para o exercício de atividades de nível superior, de complexidade e responsabilidade elevadas.

Desde então, os Gestores Governamentais passaram a ser lotados em todos os órgãos da Administração - seja na área jurídica ou de recursos naturais, da engenharia à tecnologia da informação, no planejamento e orçamento, na fiscalização, controle e regulação, nas finanças públicas, na transparência e no combate à corrupção - ocupando posições de destaque, graças ao perfil de liderança, competência, capacitação e experiência demonstradas.

Carreira de Estado

“O objetivo da carreira é continuar fazendo a diferença na gestão pública. Temos um corpo de profissionais habilitados e com vasta experiência para coordenar projetos de alta relevância e complexidade, prezando, antes de tudo, pelo zelo ao erário, eficiência da máquina, continuidade e qualificação dos serviços públicos e respeito ao cidadão”, enfatiza Eduardo Aires.