A via-crúcis de 18 quilômetros entre Goiânia e Trindade, na região metropolitana, serviu para familiares e amigos do bacharel em Direito Pedro Henrique de Queiroz, assassinado em setembro de 2008, cobrarem, mais uma vez, agilidade no julgamento dos acusados de terem praticado o crime, os policiais militares Gevane Cardoso da Silva e Marcelo Sérgio dos Santos. Em meio aos fiéis que caminhavam para o segundo dia da festa do Divino Pai Eterno, o grupo de 30 pessoas seguia, ontem à tarde, silenciosamente, com camisetas com a imagem do rapaz que morreu aos 22 anos.

Panfletos com a história do caso foram entregues pelo grupo, que organizou o movimento Não Quero Ser Mais Um - criado para cobrar Justiça para o caso. No dia do crime, Pedro, a esposa e um amigo voltavam de carro para casa, após comemorar o batizado do filho, Davi, hoje com 4 anos. Na ocasião, contou a família, o rapaz que dirigia o veículo errou a rua e freou bruscamente, o que teria levado Gevane a atirar na nuca da vítima, após um pedido de Marcelo.

Os familiares decidiram usar o percurso religioso como protesto porque o rapaz também fazia, após passar no vestibular, aos 16 anos. “Pedro fez essa caminhada até ser assassinado. Hoje, retomamos esse percurso como forma de cobrar Justiça”, disse a mãe dele, Maria do Rosário Fernandes Queiroz, de 61.

“Meu filho era companheiro para toda hora. Um rapaz muito feliz e que gostava de fazer o bem para todos. Ele não tinha inimizade”, contou o pai, Roberto Emanuel de Queiroz, de 65. “Ele não vai voltar mais, mas esperamos que, pelo menos, a Justiça seja feita.”

Segurando as lágrimas, a tia da vítima, Terezinha Fernandes, de 55, disse que ainda acredita na condenação dos acusados, que, segundo a família, continuam trabalhando normalmente na polícia.

O arcebispo de Goiânia, dom Washington Cruz, também fez o percurso ontem ao longo de quatro horas, durante à tarde. Acompanhado de dois batedores e uma ambulância do Corpo de Bombeiros, ele disse que, além de pagar promessa e cobrar Justiça, as famílias também precisam fazer o caminho “em busca de penitência”. “Precisamos disso para que o Brasil seja um país mais justo e fraterno.”