A rede pública de ensino goiana foi o destaque do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em 2017. Avaliados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os dados divulgados ontem colocam as redes estaduais de ensino médio e do segundo ciclo do ensino fundamental (9º Ano) de Goiás como sendo as que tiveram o melhor desempenho do País. O ensino médio da rede estadual obteve um índice de 4,3, enquanto a meta estipulada era de 4,2. O resultado fez de Goiás um dos dois Estados que conseguiram atingir a projeção feita pelo Ministério da Educação. O outro que atingiu foi Pernambuco. Os demais tiveram um desempenho abaixo do esperado. No que se refere ao resultado dos anos finais do Ensino Fundamental, também da rede estadual, o índice do Ideb 2017 em Goiás foi de 5,2, a frente de Rondônia (4,9) e São Paulo (4,8), que ocupam a segunda e terceira posição, respectivamente. As escolas que obtiveram as melhores notas nesta categoria são unidades de tempo integral.O superintendente executivo da Seduce, Marcelo Oliveira, avalia que a grande surpresa não foi nem Goiás estar entre os primeiros colocados, mas verificar que o Estado está conseguindo se aproximar de uma equidade de resultados entre as unidades escolares. “Temos evidências de que mais de 90% das unidades melhoraram os resultados em relação a 2015, o que é surpreendente, porque Goiás tem áreas mais frágeis, com diferenças históricas, mas houve um aumento forte nessas áreas. Pouquíssimas escolas não vão conseguir melhorar o índice do Ideb”, calcula ele.A avaliação de 2017, relacionada ao ensino meédio, foi a primeira, desde quando foi iniciada a pesquisa do Ideb em 2005, que avaliou todas as unidades escolares da rede pública. Até então, a análise era feita por amostragem. Mesmo assim, o Estado conseguiu aumentar a nota em relação a 2015, quando a rede estadual obteve um índice de 3,8. Marcelo diz que a mudança foi recebida com tranquilidade pela Seduce, pois o trabalho, segundo ele, é desenvolvido em todas as escolas. Além disso, lembra ele, Goiás aplica desde 2012 uma avaliação anual própria, que é o Sistema de Avaliação Educacional do Estado de Goiás (Saego). “O Saego vem dando resultados positivos. O que é muito interessante no Saego e que agora foi possível verificar no Ideb é que, além de melhorar a nota, Goiás conseguiu fazer uma transição dos níveis de aprendizado. Cada vez mais, há uma certa homogeneidade do processo de aprendizado e isso é um dado importante”, afirma o superintendente. Em Goiânia, entre os colégios estaduais que obtiveram as melhores notas, estão unidades de perfis diferentes, passando por colégios de tempo integral, militares e até mesmo colégios regulares, cuja estrutura continua precária, mas o ensino tem apresentado bons índices (veja correlata na página 13). A Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) atribui o feito, em resumo, a investimentos, compromisso dos profissionais de ensino e à continuidade de políticas pedagógicas que vêm demonstrando resultados positivos.PARTICULARESO que é difícil ainda é fazer uma comparação com os índices da rede privada de ensino, pois não são todas as escolas e colégios que aderem ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que é a prova que ajuda a fundamentar a nota do Ideb. O índice divulgado como sendo de escolas particulares é obtido por amostragem. Na capital, apenas seis colégios privados fizeram o Saeb e tiveram o índice do Ideb divulgado ontem no sistema do Inep. A maior nota registrada entre eles foi o do Colégio Integrado Jaó (7,3), bem acima das maiores notas das escolas públicas goianienses, que ficaram entre 5,7 e 5,6.No geral, o índice do Ideb da rede privada para o ensino médio foi de 5,5 em Goiás, mais de dois pontos acima da nota da rede estadual, mas ainda assim abaixo da meta que foi estipulada para ela, que foi de 6,8. O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Goiânia (Sepe), Flávio Roberto de Castro, argumenta que a adesão da rede privada ainda é muito pequena para refletir um desempenho geral a partir do índice divulgado pelo Inep. O foco da rede privada, geralmente, é outro, que, no caso, é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).“A grande maiorias das escolas nem sabe que existe essa prova (Saeb). Se você chegar e perguntar aos diretores o que é Saeb, muitos não vão saber dizer o que é”, aponta Flávio.Ele reconhece a importância do Ideb e avalia que seria bom para as escolas privadas aderirem à prova. “O Enem virou mercado para ranking e a nota é analisada friamente”, diz.