O padre João Manoel Lopes, atual vigário geral da Diocese de Formosa, é uma das testemunhas ouvidas na manhã desta segunda-feira (10) na audiência de instrução do julgamento dos religiosos acusados por desvio de dinheiro dos fiéis da igreja católica. Ele atua na função desde que o bispo Dom José Ronaldo Ribeiro foi afastado da gestão durante a Operação Caifás, realizada pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). A suspeita dos investigadores é que os acusados tenham desviado cerca de 2 milhões de reais de dízimos, taxas e ofertas das paróquias da região, no Entorno do Distrito Federal (DF).Depois de duas horas respondendo perguntas da acusação, ele passou a responder perguntas formuladas pelos advogados de defesa dos religiosos. A primeira audiência de instrução do caso começou por volta de 8h40 e não tem previsão para ser encerrada.A audiência, realizada no salão do Tribunal do Júri Carlos Agenor de Castro Roller, no Fórum de Formosa, é presidida pelo juiz Fernando Oliveira Samuel, da 2ª Vara Criminal. O bispo afastado Dom José Ronaldo Ribeiro chegou ao local por volta de 8h20, mas saiu logo logo após se apresentar. Como ele não será ouvido nessa fase do processo, não era necessário que ele permanecesse na audiência, mas apenas que se apresentasse.Investigação após reportagemA Operação Caifás foi deflagrada pelo Ministério Público em março deste ano. A investigação teve início depois de reportagem publicada no POPULAR, em dezembro do ano passado, que mostrava a indignação dos fiéis com a falta de transparência na gestão do bispo Dom José Ronaldo.A investigação verificou que os religiosos compraram fazendas, carros de luxo e até uma casa lotérica para lavar o dinheiro que era desviado das 33 igrejas nas 22 cidades que fazem parte da Diocese de Formosa. Os fiéis relataram desvios de valores arrecadados nas festas tradicionais da cidade, aumento das taxas de batizados e casamentos, por exemplo.Na casa de um dos padres, dentro de um fundo falso, foram recuperados mais de R$ 75 mil em dinheiro, além de celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos. Um vídeo gravado durante a operação mostra o momento em que agentes da Polícia Civil descobem em abrem o fundo falso onde o dinheiro, supostamente desviado, estava escondido.Dos 11 investigados, oito ficaram presos por quase um mês no presídio da cidade e foram soltos por força de habeas corpus. Desde março, o juiz do caso, Fernando Oliveira Samuel, determinou o bloqueio de bens em até R$ 1 milhão de cada um dos envolvidos.Confira a lista de acusados: Epitácio Cardozo PereiraDarcivan da Conceição SerracenaJosé Ronaldo RibeiroGuilherme Frederico MagalhãesMoacyr SantanaMário Vieira de BritoTiago Wenceslau de Barros Barbosa JuniorAntônio Rubens FerreiraPedro Henrique Costa AugustoEdimundo da Silva Borges JúniorWaldson José de Melo