Em Goiânia, uma geladeira se tornou símbolo de caridade. A Geladeira Solidária que pretende amenizar a fome na capital está exposta há mais de uma semana em uma rua da cidade. A ideia partiu do empresário Fernando Barcelos, 46, que foi mobilizado após saber que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 800 milhões de pessoas passam fome no mundo. “Goiânia faz parte do mundo, então parei para pensar em algo que pudesse ajudar a reduzir esse número”, contou. Países como Bélgica, Arábia Saudita e Espanha também já aderiram a essa corrente em prol da solidariedade.

Pessoas que passam pela Rua 7 da capital se deparam com o eletrodoméstico, que funciona o dia inteiro desde o dia 16. E ela funciona da seguinte forma: qualquer pessoa que passa pelo local pode depositar alimentos, como também retirá-los de lá. Mas Fernando explica que só são aceitos alimentos que estão dentro do prazo de validade e embalados com datas de fabricação. São proibidas bebidas alcoólicas e carnes. “Os alimentos colocados lá são fiscalizados por pessoas que trabalham na região e também por alguns funcionários.”

A ação tem como objetivo fazer com que as pessoas se sensibilizem a doar e a repensar  o desperdício, pois só no Brasil, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 26,3 milhões de toneladas de alimentos têm o lixo como destino.

O empresário lembra também dos desperdícios principalmente dentro dos restaurantes devido à Lei 3.071, de 1916, que proíbe donos de estabelecimentos doarem refeições prontas e prevê detenção de até cinco anos para o responsável, mesmo que a comida seja doada em boas condições e venha a estragar por deficiência no armazenamento ou manipulação de quem a recebe. “Minha intenção é conscientizar as pessoas também sobre isso, pois os donos de restaurantes até desejam doar, mas são impedidos.”

Fernando Barcelos informou ainda que, a movimentação maior acontece no período da noite. “São os horários em que usuários de drogas e moradores de rua vagam pela cidade. Toda manhã a geladeira amanhece vazia”. E não para por ai, segundo o empresário, a ação que não tem data para acabar pode continuar de outra forma. “Amanhã pode ser um fogão, ou um micro-ondas”.

O catador de recicláveis José Antônio de Almeida, de 62 anos foi um dos que se beneficiou com a iniciativa. Ele, que mora no Parque Eldorado Oeste e recolhe material no Centro pegou um pacote de macarrão instantâneo e um saco de petas. “Não tinha onde comer. Agora vou voltar outras vezes.”

Lúcio Moraes, 79, que passava pelo local, disse que já contribuiu como também um dia já precisou. “Eu já ajudei uma pessoa a saciar a fome, como também a caridade de alguém já me ajudou um dia”, contou o aposentado.

 

Géssica Veloso, estagiária do Programa de Estágio Curricular Obrigatório do Grupo Jaime Câmara em convênio com a PUC Goiás