Apontado pelo Ministério Público Estadual (MP-GO) como um “facilitador do acesso” do ex-deputado Sebastião Costa Filho, o Tiãozinho Costa (PTdoB), e do assessor dele Geraldo Magella a serviços relacionados à Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), o engenheiro José Marcos de Freitas Musse, preso ontem na Operação Compadrio, foi nomeado no órgão em 2011, como chefe de Gabinete do presidente da Agência. No mesmo ano, acumulou a função com a Diretoria de Operação e Manutenção do órgão.Em 2012, foi nomeado Diretor de Obras Rodoviárias, passando a comandar um dos principais programas de recuperação e reconstrução de rodovias em Goiás. Marcos é filho do superintendente de Relações Externas do Centro de Reabilitação e Readaptação dr. Henrique Santillo (Crer), Fause Musse.Fause aguardou o filho durante todo o dia de ontem no saguão em frente ao auditório do MP-GO, onde promotores faziam oitivas de presos e pessoas levadas por condução coercitiva em Goiânia. Em um dos trechos de interceptação telefônica, de acordo com o promotor Rafael Simonetti, há informação de que Marcos Musse teria recomendado que Tiãozinho Costa fosse até a Agetop falar com um auxiliar para que “arrume mais bueiros (obras em estradas) para Geraldo (Magella) fazer”. Marcos ainda é apontado como sócio da empresa Padrão Engenharia e Serviços Ltda., no período de setembro de 2007 a agosto de 2013. “Na mesma época em que foi sócio da citada empresa que celebrou contratos administrativos com o Estado de Goiás, o investigado também exercia função na Agetop”, indica a ação de investigação do Ministério Público.O MP-GO identificou transferências bancárias da Padrão e de Sandro Marcucci de Oliveira, atual sócio da empresa, para a conta pessoal de Marcos Musse. A defesa de Marcos Musse afirma que ele vendeu a empresa - segundo ele, de monitoramento eletrônica - assim que entrou no governo e que os pagamentos referem-se a parcelas da venda. “Esses créditos em conta foram feitos em razão da compra e venda das cotas, tudo coberto por contrato e devidamente declarado à Receita Federal”, afirmou o advogado Ovídio Martins.A apuração do MP-GO também indica repasses de Matheus Costa, filho de Tiãozinho Costa, para a conta de Musse. A defesa de Marcos Musse afirma que foram empréstimos feito ao amigo Tiãozinho.