Apontado como líder da facção criminosa Comando Vermelho (CV) em Goiás, Stepan de Souza Vieira, conhecido como BH, deve retornar a Goiânia nas próximas horas. Preso, na manhã deste domingo (7) em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, o traficante deverá ser transferido para um presídio federal de segurança máxima, conforme informou em entrevista à rádio CBN Goiânia o diretor-geral de Administração Penitenciária (DGAP), coronel Edson Costa. A unidade prisional para onde BH será levado não será divulgado por questões de segurança.

BH foi preso pela Polícia Civil de Goiás com apoio da Delegacia de Combate às Drogas (Decod) do Rio de Janeiro. Ele estava foragido desde novembro do ano passado, após conseguir uma progressão de pena do regime fechado para o semiaberto, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. 

Colocado num galpão de trabalho, ele pulou o alambrado e foi recolhido por um carro de luxo que o aguardava do lado de fora da unidade. A fuga provocou a demissão do então diretor da unidade, Danilo Adorni.

A reportagem tenta contato com a defesa de BH.

Rebeliões
Considerado um criminoso de alta periculosidade, BH é apontado como o articulador do assassinato de Thiago César de Souza, o Thiago Topete, traficante ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em Goiás. O crime ocorreu em fevereiro do ano passado, dentro do Penitenciária Odenir Guimarães (POG). A morte de Topete gerou uma rebelião na Ala C da POG, comandada pelo PCC, quando 5 detentos morreram e 35 ficaram feridos.

Após o assassinato de Topete, detentos da ala B, dominada pelo CV, buscou enfraquecer ainda mais a facção rival dentro do complexo prisional goiano. Segundo agentes prisionais, mesmo de fora do cadeia BH teria incitado presos da ala B do regime semiaberto a atacar a ala C, que se antecipou e promoveu a rebelião do dia 1º de janeiro, com um saldo de 9 mortos, sendo 2 decaptados, e 14 feridos. "Desde a fuga de BH começou na unidade o movimento 'trem-bala', uma mobilização da Ala B", contou um agente sobre o desfecho trágico.

Decisão judicial
O coronel Edson diz que a prisão de BH não gera preocupações em relação a novas rebeliões no Complexo Prisional. A transferência dele, segundo o diretor-geral, atende a decisão do juiz federal Leão Aparecido Alves, que determinou que o Estado transfira os presos mais perigosos para unidades federais do sistema penitenciário. 

A decisão também manda que o Governo de Goiás limite o número de detentos na Colônia Agroindustrial de Aparecida de Goiânia em 400 presos. Palco da rebelião do dia 1º de janeiro, que acirrou a crise do sistema penitenciário em Goiás, o semiaberto tem capacidade para 468 detentos, mas custodiava cerca de 1.250 no dia em que tudo aconteceu. 

Na decisão, o juiz determinou um prazo de dez dias para as transferências, assim como a realização de mutirões para a apreciação dos pedidos de presos que já poderiam ter progressão de regime ou terem o livramento condicional decretado. O não cumprimento da decisão implica em uma multa no valor de R$ 50 mil por dia.