Atualizado às 20h31Recomeçou às 15 horas a audiência no Fórum de Formosa para oitivas das testemunhas listadas pelo Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO) no processo que investiga desvios de cerca de R$ 2 milhões da Diocese do município. O padre Jarbas Gomes Dourado passou cerca de uma hora respondendo às perguntas da promotoria e desde então responde aos questionamentos dos 11 advogados de defesa dos acusados. O pároco afirmou em depoimento até agora que a falta de transparência na prestação de contas foi o estopim para a crise, mas que não houve esvaziamento das igrejas, mas uma movimentação dos fiéis para outras paróquias.Não há previsão de término das oitivas, mas novas audiências deverão ser marcadas, já que outras 31 pessoas estão na lista para serem ouvidas.DefesaDefensor de cinco dos padres envolvidos, o advogado Bruno Espineira afirmou que a ausência de ato ilícito na vida particular dos religiosos foi esclarecida e que o patrimônio particular destes “nada tem a ver com a igreja”. "A linha que a defesa dos religiosos segue neste processo é muito clara. Qualquer leitura dos atos praticados pelos párocos são pontuais e ocorrem no exercício da função religiosa, na esfera da igreja”, disse ele.“No que se questiona sobre a vida particular, ficou claro a licitude dos atos. O patrimônio particular dos padres nada tem a ver com a igreja. Se houve uma prática inapropriada é para se corrigir no âmbito da igreja. Se ocorreu um equívoco de gestão não podemos entender que houve crime”, continuou.Os advogados dos demais padres acusados foram contatados pela reportagem, mas, até o momento, não enviaram respostas.Investigação após reportagem A operação Caifás foi deflagrada pelo Ministério Público Estadual de Goiás em março deste ano. A investigação teve início depois de reportagem publicada no POPULAR, em dezembro do ano passado, que mostrava a indignação dos fiéis com a falta de transparência na gestão do bispo Dom José Ronaldo. A investigação verificou que os religiosos compraram fazendas, carros de luxo e até uma casa lotérica para lavar o dinheiro que era desviado das 33 igrejas nas 22 cidades que fazem parte da Diocese de Formosa. Os fiéis relataram desvios de valores arrecadados nas festas tradicionais da cidade, aumento das taxas de batizados e casamentos, por exemplo.Na casa de um dos padres, dentro de um fundo falso, foram recuperados mais de R$ 75 mil em dinheiro, além de celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos. Destes 11 investigados, oito ficaram presos por quase um mês no presídio da cidade e foram soltos por força de habeas corpus. Desde março, o juiz do caso, Fernando Oliveira Samuel, determinou o bloqueio de bens em até R$ 1 milhão de cada um dos envolvidos.