Parte dos detentos atingidos pela Operação Insone, deflagrada nesta quinta-feira (23) contra o crime organizado nos presídios de Goiás, admitiu ser integrante da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). Foram expedidos 87 mandados de prisão preventiva por formação de organização criminosa e outros 87 de busca e apreensão em 51 cidades do interior. O nome da ação policial significa “aquele que não dorme” ou vigilante. Sete ainda estavam foragidos até o fechamento desta edição.A maioria dos pedidos de prisão, 72 deles, tinha como alvo pessoas que já estão detidas em unidades prisionais do Estado. O delegado responsável pela operação, Breynner Vasconcelos Cursino, titular da Delegacia Estadual de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), explica que muitos deles receberiam alvará de soltura e a ação veio com o objetivo de mantê-los em regime fechado. Além disso, alguns haviam sido presos no decorrer das investigações. Desde 2015 a Draco vem investigando o crime organizado em presídios goianos.Todos os presos na operação desta quinta foram interrogados sobre a participação em facções. Em Mineiros, região Sudoeste do Estado, onde foram cumpridos quatro mandados e dois estão foragidos, o detento Adriano Sousa Fernandes, de 26 anos, não só admitiu fazer parte da facção paulista, como apontou qual seria sua matrícula de integrante, segundo o agente da Polícia Civil Gustavo Gois. No interrogatório era perguntado ao preso se ele havia se batizado em alguma organização ou se tinha alguma taxa de filiação.Outros três detentos de Mineiros, alvos de mandados de prisão por organização criminosa, teriam admitido apenas que eram “companheiros”, ou seja, que são simpatizantes da facção, mas que ainda não são batizados. O batismo seria condicionado a uma indicação de alguém de dentro do grupo e até ao cumprimento de uma missão, de acordo com o agente. Todos os interrogados cumpriam pena por roubo.Em Catalão, Sudeste de Goiás, foram cumpridos 21 mandados de prisão, sendo que 19 já estavam presos na unidade prisional da cidade. Durante os interrogatórios alguns deles admitiram fazer parte de alguma facção criminosas, mas não teriam especificado quais eram, segundo o delegado titular da 9ª Delegacia Regional de Polícia de Catalão, Jean Carlos Arruda. “Não me lembro o número, mas foram poucos (que disseram fazer parte de facções)”, garante. Uma determinação da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP) proíbe que o nome das facções criminosas seja mencionado pelos servidores.Breynner Vasconcelos, delegado responsável pela operação, reconheceu que há presos que disseram fazer parte de organizações criminosas, mas disse que só vai poder se certificar quando tiver acesso a todos os interrogatórios, o que deve acontecer na tarde desta sexta-feira (24). Ele também esclareceu que nem toda facção possui o processo do batismo para se tornar um integrante.InterligadosO delegado também reconhece que os grupos criminosos de cada cidade se comunicam e são interligados, mas ele fala de vários e não de apenas um. “O correto é dizer que são várias facções criminosas que atuavam de forma coligada”, garante.De acordo com as investigações, esses grupos investigados pela Operação Insone eram responsáveis pela prática de diversos crimes como roubo, furto, tráfico de drogas, homicídios, entre outros. As ordens para a prática dos crimes seriam dadas por meio de bilhetes, familiares de detentos e aparelhos celulares. “Elas partiam de dentro do presídio e pessoas extramuros executavam. Mas muitos crimes eram praticados também no interior das unidades, o tráfico de drogas principalmente”, explica o delegado.Drogas foram apreendidas durante cumprimento de mandado de prisãoA Polícia Civil de Itumbiara, no Sul de Goiás, acabou realizando uma apreensão de drogas no momento em que cumpria um mandado de prisão preventiva da Operação Insone, ação da Draco de combate ao crime organizado nos presídios do Estado. Foram apreendidas 35 porções de cocaína, cinco de maconha e doze de pasta base, além uma balança de precisão, segundo o delegado titular da 6ª Delegacia Regional de Polícia de Itumbiara, Ricardo Torres Chueire. A prisão e apreensão aconteceram no setor Novo Horizonte, periferia da cidade. O suspeito estava dormindo com a esposa quando foi surpreendido por uma equipe do Grupo de Elite da Polícia Civil do Estado de Goiás (GT3) no final da madrugada desta quinta.Uma filmagem dessa ação policial mostra os policiais entrando na residência com armas em punho aos gritos de “polícia” e rendendo o morador da casa. As imagens foram publicadas em redes sociais editadas com uma trilha sonora de um rock pesado. No total foram cumpridos quatro mandados de prisão por organização criminosa apenas em Itumbiara, sendo que três já estavam presos. No restante do Estado foram 87 mandados, mas sete estavam foragidos até o fechamento desta edição. Por hora, os presos na operação não serão transferidos de cadeia.-Imagem (Image_1.1401611)